O carrão, na frente das cataratas do Niágara. Foto: Porsche.

A Porsche lançou oficialmente o Taycan nesta semana. Com isso, a empresa alemã se tornou a primeira das grandes montadoras a encarar de frente a Tesla quando o assunto é carro elétrico no estado-da-arte.

Jaguar, Audi e Mercedes-Benz já lançaram modelos elétricos no segmento premium, mas nenhuma foi tão longe no desenvolvimento de novas tecnologias como a Porsche. 

É por isso que o Taycan está sendo considerado um “game changer”. Pouco importa seu preço ou quem são os sortudos que podem comprar. O fato relevante é que a capacidade máxima de engenharia de uma montadora tradicional foi posta à prova. E o resultado chegou às ruas. 

O Taycan é um carro superlativo em muitos quesitos. Tem um motor cavalar, sob quaisquer parâmetros, seja comparado a outros carros elétricos ou a combustão. Com um torque absurdo de 1,050 Nm, ele faz de 0 a 100km/h em 2,8 segundos e tem velocidade máxima de 260km/h. 

Esse quase exagero (potência nunca é demais) é um esforço para demonstrar que a alma da Porsche está contida neste carro. 

A exemplo da Ferrari, a Porsche tem uma legião de seguidores fiéis. Claramente há o receio de que os mais puristas torçam o nariz para motores elétricos. 

Por isso, a empresa repetiu várias vezes a palavra “alma” durante o lançamento do Taycan. De fato, o slogan escolhido foi “Soul, electrified”. Essa questão é bem sensível, já que a marca fez fama com seus motores de combustão potentes, tendo uma longa  tradição no automobilismo.  

Pouca gente sabe, porém, que o primeiro carro projetado por Ferdinand Porsche em 1898 é 100%  elétrico – revolucionário para a época. Durante a cerimônia de lançamento do Taycan, tal fato foi lembrado.

Além de força, o Taycan traz importantes inovações no sistema elétrico. É o primeiro a operar com 800 volts, que permite recargas muito mais rápidas seus concorrentes. E, a exemplo do Model S da Tesla, é conectado full time. 

A Porsche não economizou no projeto. Investiu 700 milhões de euros em uma nova linha de montagem e projeta que até 2029, um em cada dois de seus carros será elétrico. 

Para o lançamento do Taycan, a montadora preparou um grande evento com transmissão simultânea em três países.  

Na Alemanha, junto a uma usina de geração solar, na China, do lado de uma fazenda de geração eólica, e no Canadá, na boca das Cataratas do Niágara.  

Nas palavras do presidente do conselho executivo, Oliver Blume, a Porsche entra em “um novo capítulo da história”. Ele vai além ao afirmar que estamos vivenciando o “começo de uma nova Era”.  Já estão tratando o Taycan como um novo ícone. Toda esta pompa tem um motivo. 

Desde que foi lançado em 2012, o Model S da Tesla não viu nenhum concorrente ameaçar sua supremacia. Apesar de ser um sedã de luxo, o carro têm um desempenho digno de carros esportivos.  

Nos EUA,o Model S está comendo fatias importantes do mercado de luxo, superando Audi, Mercedes e a própria Porsche. Isso fez com que uma luz amarela se acendesse em toda a Alemanha. 

O ministro da Economia da Alemanha teria provocado as montadoras locais ao perguntar quando eles iriam produzir um carro que fosse tão sexy quanto um Tesla. 

O Taycan é a resposta que temos até o momento. Porém, a Tesla já apresentou o novo Roadster, que deverá ser lançado em 2020. Ao que tudo indica, com esse carro a ex-startup do Elon Musk vai se colocar de novo anos-luz à frente da concorrência. 

Se de um lado os chineses estão produzindo carros elétricos baratos em grandes volumes, os germânicos estão mais preocupados em dominar tecnologicamente o setor. Não é tarefa fácil mas, ao que tudo indica a decisão estratégica já está tomada. 

Pouco a pouco, um dia depois do outro, vai ficando cada vez mais claro que o carro elétrico é a aposta mais segura quando se trata de futuro da indústria automotiva. Ou alguém ainda duvida?

* Carlos Martins é idealizador da E-24, a primeira corrida de carros 100% elétrica do Brasil e escreve para o Baguete sobre temas relacionados com indústria automobilística e mobilidade. Confira o blog da E-24.