GEN AI

Itaú usa agente de IA da Cognition

Devin já é utilizado por 75% das equipes de desenvolvimento de software do banco.

19 de janeiro de 2026 - 11:26
Carlos Eduardo Mazzei, diretor de Tecnologia do Itaú. Foto: divulgação.

Carlos Eduardo Mazzei, diretor de Tecnologia do Itaú. Foto: divulgação.

O Itaú, maior banco do Brasil em termos de ativos totais e valor de mercado, adotou a solução da Cognition, empresa de agentes de codificação com IA e criadora do Devin, agente voltado a apoiar engenheiros de software.

Carlos Eduardo Mazzei, diretor de Tecnologia do Itaú, contou ao site IT Fórum que o acordo se deu tanto pela capacidade tecnológica da Cognition como pela sinergia entre as culturas.

“Escolhemos o Devin porque ele podia realizar tarefas relativamente complexas, para além de um assistente de programação. Mas, mais importante, percebemos que a Cognition tinha uma equipe técnica dedicada e capaz de evoluir rapidamente”, explicou Mazzei.

Segundo o diretor, o processo de implementação foi feito com muita cautela, começando por compreender como e onde a a solução seria utilizada. Com um piloto de experimentação, as equipes testaram o agente e o treinaram com todos os protocolos existentes da área.

Como a companhia já utilizava a IA em seus processos de codificação, os primeiros treinamentos ganharam celeridade rapidamente e, em pouco tempo, o Devin estava auxiliando a melhorar estes processos. 

“Sabíamos que ter funções e diretrizes bem definidas era extremamente importante. Diretrizes rígidas sobre como trabalhar nos aplicativos, como aplicar as melhores práticas para desenvolver uma boa solução, como ter os padrões de arquitetura e tudo o mais, foram fundamentais para garantir a segurança desse processo”, destacou Mazzei.

Com a governança encaminhada, o objetivo passou a ser garantir que os sistemas fossem adaptados, compreender como o agente funcionaria dentro do banco e como os times se adequariam à nova realidade.

Enquanto isso, a Cognition enfrentava o desafio da escala das operações da instituição financeira. Também em entrevista ao IT Forum, Russell Kaplan, presidente da Cognition, conta que foi o número de repositórios de código do Itaú que exigiu uma dedicação maior de sua equipe.

“O Itaú tem mais de 300 mil repositórios de código, então nós precisávamos entender como lidar com aquela escala massiva e a complexidade da infraestrutura existente. Mas como o banco já havia pensado antes em como será o futuro da engenharia de software, conseguimos focar no que era prioridade para o processo”, detalhou Kaplan.

O projeto piloto mostrou que os times do Itaú que utilizavam a ferramenta conseguiam ampliar o volume de entregas em 30%, ao mesmo tempo em que aprimoravam a qualidade do código e a experiência de seus desenvolvedores. 

Após o sucesso dos testes, o Devin passou a ser incorporado no dia a dia das equipes gradualmente.

A procura pelo agente dentro do banco foi tão grande que, na metade de 2025, seis meses após o começo da implementação, o contrato com a Cognition precisou ser ampliado. 

Atualmente, o Devin está sendo implementado em todos os times de tecnologia da instituição, sendo utilizado por cerca de 75% das equipes de forma autônoma, escrevendo, testando, corrigindo, enviando e documentando códigos prontos para produção. 

Uma camada de conhecimento institucional mantém a documentação de códigos do banco constantemente atualizada.

Segundo o diretor de Tecnologia, o plano é garantir que a IA atue em toda sua operação, mas o avanço tem sido cauteloso devido aos códigos legados da instituição. 

Com um plano de migrar 100% de sua infraestrutura para a nuvem até 2028, hoje o Itaú possui 70% de seus serviços hospedados em nuvem pública, mas os outros 30% restantes tornam a integração do Devin mais lenta.

“Nossa expectativa é superar essa lacuna em breve. E nossa visão é que cada equipe aqui no banco terá engenheiros humanos e engenheiros de IA trabalhando juntos. Mas nosso ecossistema é realmente complexo e temos que garantir que as vulnerabilidades sejam tratadas antes de qualquer passo”, reforçou Mazzei.

Ainda assim, o executivo afirma que, desde que começou a rodar, o Devin já mudou muito, aprimorando suas respostas a cada dia.

“O Devin foi projetado para crescer com a empresa, da mesma forma que uma pessoa que começa em um novo emprego. Então, ele aprendeu muito sobre a base de código da TI, suas melhores práticas, bibliotecas e estruturas internas. Agora estamos no ponto em que a adoção cresceu tanto que problemas que nunca teriam sido resolvidos já são identificados e solucionados”, contou Mazzei.

Desde que passou a ser utilizado no Itaú, o agente de IA tornou a migração de serviços seis vezes mais rápida. A solução solucionou 70% dos alertas de segurança identificados pelas ferramentas de análise estática de códigos e quase duplicou a cobertura de testes, de aproximadamente 50% para mais de 90%.

Ainda de acordo com a publicação, o uso da ferramenta faz parte de uma estratégia mais ampla de inteligência artificial, com foco em ampliar as capacidades do Itaú Unibanco. 

A instituição conta atualmente com mais de 750 iniciativas de IA generativa em operação, abrangendo diversas áreas de negócio. No último ano, o número de iniciativas em produção cresceu mais de 141%.

Os próximos passos incluem chegar a 100% de integração da tecnologia e mergulhar mais profundamente em novas possíveis funcionalidades do Devin, expandindo a ferramenta para novas áreas de negócio.