Thomas Kurian. Foto: Flickr/Oracle PR

Thomas Kurian, novo CEO do Google Cloud, quer usar as estratégias do manual da Oracle para emplacar um novo posicionamento da gigante de buscas no mercado de computação em nuvem.

Parte do plano é contratar equipe. Hoje, segundo disse Kurian ao Wall Street Journal, os times de venda do Google Cloud são um décimo das equipes trabalhando com AWS e Azure. Ele quer chegar a pelo menos a metade.

É muita gente, mas Kurian citou sua experiência de contratar 4 mil pessoas em um ano para o time de vendas da Oracle.

Outra parte do plano de Kurian é criar tecnologias que permitam aos desenvolvedores criar aplicações que rodem na nuvem do Google, mas também na da AWS e Microsoft, que no momento são líderes disparados de mercado.

Kurian disse que o plano em termos de tecnologia é similar ao que a Oracle fez com o Java, uma linguagem de programação que se tornou um standard de mercado.

Além disso, o novo CEO do Google Cloud quer que a empresa crie produtos específicos por indústria, focando em verticais como saúde, varejo, finanças ou indústria automotiva (vale lembrar que a AWS fechou um mega contrato com a Volkswagen semana passada).

De acordo com números do Gartner, o setor é liderado pela AWS, com 44,2% do mercado. A lista segue com Microsoft (7,1%), Alibaba (3%) e Google (2,3%). 

O Google está só um pouco acima da categoria Outros, onde estão IBM, Oracle e outros players com menos de 2% (números à parte, a briga mais animada do mercado é entre Oracle e AWS). 

“Tem coisas que você aprende lidando com clientes enterprise por 22 anos”, disse Kurian ao WSJ.

Kurian era presidente de desenvolvimento de produto e responsável pelo negócio nuvem dentro da Oracle, respondendo diretamente para o dono Larry Ellisson, de quem chegou a ser apontado como potencial sucessor.

O profissional tinha duas décadas de casa e sua ida para o Google em novembro chamou atenção

Ao que parece, a relação de Kurian com Elisson azedou. A missão de Kurian era fazer uma virada no modelo de negócios da Oracle, transformando ela de uma vendedora de hardware em uma  líder em serviços de cloud e plataforma.

Por um tempo, as coisas foram bem, mas recentemente a Oracle tomou a decisão de divulgar as vendas de software, plataforma, infraestrutura como serviço e as boas e velhas licenças de software num número só.

A tese vendida pela Oracle era que a movimentação visava refletir melhor a aquisição de modelos híbridos de software, mas a novidade foi interpretada como uma estratégia para esconder números ruins de crescimento na nuvem. 

Recentemente, Kurian contratou outro alto executivo do negócio cloud da Oracle. 

Nem todo o “manual” da Oracle é bem visto, no entanto. O WSJ escutou alguns clientes do Google, que disseram que esperam que a empresa não comece a “pegar pesado” no comercial, como a Oracle é conhecida por fazer.