Thomas Kurian, está de volta.

Thomas Kurian, ex-presidente de desenvolvimento de produto da Oracle e uma das figuras mais influentes da companhia nos últimos anos, acaba de assumir o comando do Google Cloud, a divisão de computação em nuvem da gigante de buscas.

O executivo havia deixado a Oracle no final de setembro, aparentemente depois de um desentendimento com Larry Ellison, fundador e todo poderoso na Oracle.

Kurian assume no lugar de Diane Greene, uma das fundadoras da VMware, que entrou no Google em 2015 quando sua startup Bebop foi comprada por US$ 400 milhões.

A saída de uma mulher de uma posição de alta visibilidade não ajuda muito o Google, que atravessa no momento uma crise, sendo acusado de ter encoberto práticas de assédio sexual de executivos no topo.

Já Kurian terá no Google a mesma missão que tinha na Oracle: criar um competidor relevante para a AWS, líder absoluta no mercado.

De acordo com números do Gartner, o setor é liderado pela AWS, com 44,2% do mercado. A lista segue com Microsoft (7,1%), Alibaba (3%) e Google (2,3%). 

O Google está só um pouco acima da categoria Outros, onde estão IBM, Oracle e outros players com menos de 2%. 

Teoricamente, o Google tem uma posição mais forte que a Oracle em cloud, com alguns clientes de grande porte como Spotify e Snapchat, além de ser um fornecedor natural para grandes varejistas desconfiados de colocar seus dados na AWS, uma empresa da Amazon.

Por outro lado, a IBM, que está na disputa pelo terceiro lugar ocupado pelo Google, acaba de comprar a Red Hat por US$ 34 bilhões.

A Red Hat é dona de uma distribuição Linux que roda em servidores de data centers e outras tecnologias usadas para construir as chamadas “nuvens híbridas”, nas quais são orquestradas diferentes provedores de nuvem pública, privadas e infraestruturas próprias.

Kurian era um veterano com 20 anos de Oracle e desde 2014 reportava diretamente para o presidente e fundador da Oracle, Larry Ellison.

Os dois CEOs da empresa, Safra Catz e Mark Hurd, reportam para o board da Oracle, que é presidido por Ellison, mas não para Elisson diretamente.

A relação próxima com Ellison fez que o nome de Kurian fosse especulado no passado como um futuro líder para a Oracle.

Ao que parece, a relação com Elisson azedou. A missão de Kurian era fazer uma virada no modelo de negócios da Oracle, transformando ela de uma vendedora de hardware em uma  líder em serviços de cloud e plataforma.

(Uma curiosidade. Kurian tem um irmão gêmeo, George Kurian, que é CEO da NetApp, uma empresa em alta quando o assunto é cloud híbrido).

Por um tempo, as coisas foram bem, mas recentemente a Oracle tomou a decisão de divulgar as vendas de software, plataforma, infraestrutura como serviço e as boas e velhas licenças de software num número só.

A tese vendida pela Oracle era que a movimentação visava refletir melhor a aquisição de modelos híbridos de software, mas a novidade foi interpretada como uma estratégia para esconder números ruins de crescimento na nuvem. 

De acordo com a Bloomberg, Kurian queria tornar mais softwares da Oracle compatíveis para rodar em nuvens públicas de concorrentes como AWS e Microsoft, num caso clássico de “se não pode vencê-los, una-se a eles”, uma vez que as duas empresas são as líderes isoladas nesse mercado.