Mario Vilalva, ex-presidente da Apex. Foto: Apex.

O ex-presidente da Apex, o embaixador Mario Vilalva, acredita que era espionado por um hacker instalado dentro da agência estatal de promoção de exportações por dois diretores que eram seus inimigos políticos.

A bizarra afirmação é parte de uma sessão de lavação de roupa suja feita por pelo recém demitido Vilalva no site O Antagonista.

“Puseram lá um japonês, que ficava sentado numa sala de vidro que dava para o meu gabinete, para a sala do meu chefe de gabinete e a do meu secretário. E ficava lá sentado, com um computador, olhando para gente. Eu perguntei o que ele fazia lá, mas eles não me responderam. Até que veio a informação de que era um hacker que estava ali, observando os movimentos de entrada e saída da minha área e que ele estaria monitorando as ligações telefônicas e os emails”, disse Vilalva.

O embaixador, um diplomata de carreira com quase 40 anos de serviço no Itamaraty,  provavelmente não está muito por dentro de como funciona o mundo das infiltrações de sistemas. 

Se alguém quer monitorar as comunicações de alguém, o melhor é fazê-lo à distância, sem que ninguém perceba, no lugar de plantar um hacker japonês do lado de fora do escritório da vítima.

Por outro lado, a Apex parece ter se transformado num mundo à parte, onde as regras do mundo exterior não se aplicam.

Vilalva é o segundo presidente da Apex e foi demitido pelo chanceler Ernesto Araújo depois de 90 dias no cargo, pelo que a imprensa descreve como um enfrentamento com dois diretores da Apex apadrinhados de Araújo.

Recentemente, o Globo revelou que os dois diretores teriam instalado portas de vidro na sua área da sede em Brasília para evitar o acesso do presidente, ao qual não dão satisfações dos seus movimentos. Vilalva reafirmou ambas histórias ao Antagonista.

A Apex é um centro de crises que misturam amadorismo e disputa por poder, em um governo repleto de amadorismo e disputa por poder.

Vilalva assumiu a Apex depois da saída de Alecxandro Carreiro, que foi demitido pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, em janeiro. 

Causou mal-estar dentro da agência o fato de que Carreiro não era fluente em inglês, o que é uma exigência do estatuto da própria Apex, e, bem, meio o que se espera de quem quer trabalhar com promoção de exportações.

Depois de demitido por Araújo, Carreiro se negou a sair do cargo, o que só fez quando o presidente Jair Bolsonaro anunciou a sua saída.

O caos na Apex eventualmente pode respingar no setor de TI. A Softex, outra agência semi estatal, focada na promoção do setor de software brasileiro, realiza ações em conjunto com a Apex, incluindo o Projeto Setorial Brasil IT+, que já levou mais de 250 para participar de uma série de eventos no exterior.