Paulo Marcelo é o novo CEO da Solutis.

Paulo Marcelo, um executivo de destaque no mercado de TI brasileiro, acaba de assumir o cargo de CEO da Solutis, uma empresa baiana de desenvolvimento de software, com a missão de colocar a companhia num lugar de destaque no mercado nacional.

A meta é triplicar nos próximos anos o faturamento da Solutis, que fechou o ano passado com uma receita de R$ 100 milhões e tem 850 funcionários, a maioria deles em Salvador.

A história de Marcelo com a Solutis é antiga. A empresa foi fundada em 2011, como um dos primeiros investimentos do Unipartners, um fundo de investimento em tecnologia criado um ano antes pelo executivo e outros cinco sócios da Unitech.

A Unitech foi uma empresa de desenvolvimento de software fundada em 1995 que teve uma trajetória de sucesso no mercado brasileiro.

Em 2007 a Unitech se fundiu com a Braxis, formando o embrião da CPM Braxis, adquirida pela gigante francesa Capgemini em 2010 quando já tinha um faturamento na casa do R$ 1 bilhão. 

Dentro da Capgemini, o executivo galgou posições até assumir o comando no Brasil, em 2014, da qual saiu no final de 2016 para o cargo de CEO na Resource, uma grande integradora brasileira de software.

Com esse currículo, a pergunta óbvia é qual é o grau das ambições de Marcelo a frente da Solutis a longo prazo, mais para além da meta inicial de triplicar o faturamento.

“O que eu posso dizer é que não queremos fazer menos do mesmo”, brinca Marcelo. “Não adianta nós queremos nos equiparar com quem já está competindo e é bem sucedido no mercado”, explica o executivo.

Marcelo acredita que a liderança da Solutis é uma chance para surfar uma “terceira onda” no mercado nacional de software, depois da oportunidade gerada nos anos 90 pela tendência de outsourcing de TI e as arquiteturas cliente-servidor e a subsequente consolidação do mercado com grandes provedores dos anos 2000.

“A chance agora é para empresas de médio porte de desenvolvimento ágil, transformação digital e projetos em segmentos emergentes como fintech e outros nos quais startups podem criar negócios de grande escala”, acredita Marcelo.

Em outras palavras, a Solutis quer ser um competidor para novas empresas de desenvolvimento de software, como a C&IT (que fechou 2017 com um faturamento de R$ 400 milhões) e não para uma Stefanini uma Capgemini, ou outras empresas que atendem os grandes bancos do país.

Os fatos concretos sobre a Solutis respaldam as ambições de Marcelo. O primeiro é que a empresa tem uma “audiência cativa” de outras empresas investidas pela Unipartners, um grupo que inclui a EZVida, no segmento de saúde, a Nextia e Plug, ambas no setor de seguros.

Elas hoje representam só 15% da receita da Solutis, mas servem como uma validação do modelo de trabalho. 

Talvez mais importante do que isso, outra investida do Unipartners, a Nós Inovators, atua na criação e gestão de hubs de inovação com startups, corporações de grande porte e investidores. 

Um dos clientes é o Inovabra, aceleradora de startups do Bradesco, atualmente com 100 empresas em um prédio no coração de São Paulo, um dos empreendimentos do tipo com mais visibilidade no país e uma grande base de clientes potenciais para a Solutis.

Marcelo estará baseado em São Paulo, no centro dos acontecimentos, enquanto o time de desenvolvimento permanece em Salvador, onde os custos são mais baixos e a rotatividade é menor (pode ajudar o fato que o CEO é baiano).

“Nosso desafio é ver até onde a empresa pode crescer, sem se basear no modelo já conhecido de escala em mão de obra ou fusões e aquisições”, resume Marcelo.