Gilmar Batistela.

A Resource, uma das maiores empresas de integração de tecnologia do Brasil, deve retomar o crescimento em 2018, ao mesmo tempo em que passa por uma alteração no comando.

Gilmar Batistela, fundador da companhia, retomou a posição de CEO, com a saída da empresa no final de junho de Paulo Marcelo.

Marcelo, ex-CEO da Capgemini no Brasil, assumiu o comando da companhia no país em dezembro de 2016, quando Batistela passou para o comando do conselho e administração.

Em termos de crescimento, a Resource espera fechar 2018 com uma alta de 15% no faturamento, chegando a R$ 460 milhões.

A cifra colocaria a empresa acima do resultado de R$ 435 milhões registrado em 2015, patamar que não voltou a ser alcançado desde então.

A Resource patinou em 2016. Em meio à fase mais séria da crise econômica, a empresa perdeu 10% do faturamento, fechando aquele ano com R$ 360 milhões. Já em 2017, veio uma recuperação, com 11%, que deve ser mantida em 2018.

“Acredito que podemos crescer com estabilidade na faixa dos 10 a 15% nos próximos anos”, resume Batistela.

Com um cenário ainda muito incerto, o empresário deixou de lado os planos de atingir R$ 1 bilhão até 2021 (num ritmo de 15% anual, a casa do bilhão chegaria em 2024), em parte porque ele foi concebido tendo um cenário econômico muito diferente.

De acordo com Batistela, a intenção era buscar um aporte de capital e acelerar o crescimento por aquisições. Com a crise, a possibilidade de um IPO se tornou menos atrativa e os investidores, mais arredios.

“Somos procurados com alguma frequência, mas o foco agora é nas margens de lucro e no reposicionamento da empresa”, explica Batistela.

Batistela destaca que a Resource é uma empresa sólida, com mais de 300 clientes, 2,5 mil funcionários e boa penetração entre multinacionais e bancos. 

Nos últimos anos, a companhia vem migrando do foco em desenvolvimento de software dos primeiros anos para uma série de ofertas em torno do tema “transformação digital”, incluindo inteligência artificial com Watson da IBM, robotização de atendimento, tecnologias de IoT no mundo de agricultura e uma prática SAP em alta.

Outra novidade é a entrada na área de infraestrutura de TI, por meio de parcerias com Cisco, Citrix e Pure Storage.

Batistela não entra em maiores detalhes sobre a mudança de rumos em relação à saída de Marcelo um executivo experiente que foi CIO antes de fundar a Unitech, uma empresa de serviços de TI que por meio de uma série de fusões chegou a ser a CPM Braxis, adquirida pela Capgemini em 2010.

Seja como for, Batistela frisa a existência de um corpo de 200 profissionais entre VPs, diretores e gerentes, muitos na empresa há anos e conhecedores do mercado.

O CEO da Resource se divide entre o Brasil e os Estados Unidos, onde a Resource montou em 2014 um laboratório no Vale do Silício com intenção de se aproximar de startups promissoras.

“Nossa visão é ser uma integradora para as necessidades do cliente de ponta a ponta, sem estar presos a nenhum fabricante”, resume Batistela.