Salim Mattar. Foto: Alesp.

O secretário especial de desestatização e desinvestimento, Salim Mattar, garantiu que Serpro e Dataprev serão “privatizadas, vendidas ou fechadas”, durante um evento promovido pela revista Voto, em Brasília, nesta quarta-feira, 13.

Mattar falou das estatais federais de processamento de dados como parte das quatro estatais que estão sob a responsabilidade do novo ministério da Economia (as outras duas são IRB e Casa da Moeda), e, que, portanto, ofereciam menos impedimentos para uma movimentação desse tipo.

O empresário, fundador da Localiza, reconheceu que estava falando de metas, e não de fatos consumados. 

“Quero vender a ideia do ministro Guedes. Quero vender a ideia do presidente, que comunga dessas ideias. É uma batalha difícil”, afirmou Mattar, segundo relata o Convergência Digital.

Por outro lado, as estatais sob o controle do ministério da Economia sofrem menos empecilhos para uma privatização, uma vez que é necessário menos convencimento, frente a outras estatais sob o controle de outros ministérios. Talvez a Economia queira dar o exemplo.

“A decisão de privatizar essas empresas é do ministro. E eu fico aporrinhando os ministros para poder privatizar. Esse é o meu papel. Sei que tenho uma grande batalha pela frente”, reconheceu o secretário.

Mattar também falou da Vale, que considera uma empresa estatal por estar sob controle de fundos de pensão de estatais, e disse que será necessário “reprivatizar” a mineradora, uma frase que estampou manchetes nos jornais de hoje.

O secretário falou durante um painel e talvez estivesse só soltando balões de ensaio em torno do tema privatizações.

Tanto Dataprev quando Serpro já tiveram novos presidentes nomeados pelo governo.

Ambos tem um perfil parecido, com uma carreira feita na iniciativa privada.

Christiane Almeida Edington, ex-CIO da Telefônica Brasil, será a nova presidente da Dataprev.

Caio Mario Paes de Andrade, um empresário com investimentos no setor de tecnologia, foi nomeado presidente do Serpro no começo de janeiro.

A estratégia de TI do governo federal está em transição desde o final do governo Dilma, com a saída de cena do foco prioritário em desenvolvimento interno baseado em software livre rodando sobre infraestrutura própria a entrada de soluções proprietárias e computação em nuvem de fornecedores privados.

No entanto, a maioria dos planos especulados até agora falavam em uma fusão de Dataprev e Serpro, seguida de um enxugamento de quadros de uma empresa que faria a gestão de contratos com a iniciativa privada.

Em caso de fechamento das estatais, essa função poderia ser internalizada no ministério da Economia, ou em algum órgão que assumisse um papel de "CIO" para o governo federal.

Uma tentativa nesse sentido já foi cogitada no governo Temer, sob a batuta de Marcelo Pagotti, secretário de Tecnologia da Informação e Comunicações do Ministério do Planejamento.

Mas o “plano CIO” foi engavetado, deixando a Secretaria de Tecnologia da Informação e Comunicações na mesma posição de falta de influência sua antecessora, Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação, capaz apenas de fazer recomendações sobre a estratégia de TI que cada órgão pode seguir ou não.

Ainda mais complicado seria uma privatização de Serpro e Dataprev. O principal ativo das empresas é o seu acesso privilegiado ao cliente governo por meio de leis que priorizam a contratação de seus serviços, além da disposição em tolerar atrasos no pagamento dos clientes.

Numa empresa privada, o acesso privilegiado seria perdido, assim como a disposição em ser pago com muito atraso.

Passado pouco mais de 40 dias de governo, o principal acontecimento na linha de privatizações foi a decisão da Caixa de vender todos os ativos que não fazem parte da atividade principal do banco, uma decisão que afeta quatro subsidiárias nas áreas de loterias, seguros, cartões e gestão de recursos.

A decisão foi anunciada pelo presidente da Caixa, Pedro Guimarães, durante outro evento, dessa vez do banco Credit Suisse.

A abertura deve ser feita até junho 2020 através das bolsas de São Paulo e Nova Iorque, trazendo  R$ 40 bilhões que serão usados para pagar aportes feitos pelo governo no banco.

Uma movimentação ainda não confirmada é o fechamento do Ceitec, estatal de fabricação de chips sediada em Porto Alegre.

De acordo com o Estadão, a companhia, junto com a Valec, do setor de ferrovias, deve ter as portas fechadas até março, quando todos os funcionários serão demitidos e os ativos vendidos.

Ainda segundo o Estadão, a chamada liquidação deve ser aprovada pelo conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), colegiado formado por ministérios e bancos públicos, além da Presidência da República, em uma reunião em fevereiro.