Christiane Almeida Edington foi CIO da Telefônica. Foto: Divulgação.

Christiane Almeida Edington, ex-CIO da Telefônica Brasil, será a nova presidente da Dataprev, estatal federal de processamento de dados que tem entre suas principais atribuições a gestão dos dados da Previdência Social.

Segundo o site O Antagonista, Christiane foi apontada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

Caso se confirme, a nomeação traz uma executiva de alto calibre para dentro da Dataprev.

Christiane foi CIO da Telefônica Brasil por oito anos, até abril de 2016. No período, foi uma profissional de destaque, tendo sido escolhida CIO do ano para América Latina pela Oracle em 2011.

Desde a saída da Telefônica, Christiane passou pelo conselho de diferentes empresas, participando hoje em dia do board da Renner, Zup Inovation e Oesia.

A profissional fez carreira no setor de telecomunicações, começando na Telebahia, uma das estatais de telecomunicações que veio a formar mais adiante a Telefônica no país. 

Christiane passou 10 anos na empresa, onde chegou a ser gerente de infraestrutura. Já na Telefônica, no comando da TI, Christiane participou da fusão com a Telemig Celular.

A nova presidente da Dataprev tem por tanto experiência de setor público ou pelo menos altamente regulamentado pelo governo, por um lado, e conhecimento de ambientes complexos de TI, com muitos sistemas legados.

As coisas já estão se movimentando na Dataprev desde antes da nomeação da nova presidente.

Nesta semana mesmo veio a público um plano de demissões voluntárias, no que pode ser visto como um movimento da companhia por se adiantar a mudanças planejadas pelo novo governo.

Programas de demissão voluntária acontecem com alguma frequência em estatais como uma forma de oxigenar quadros.

Essa nova edição, no entanto, pode ter uma adesão acima da média, pois acontece após anos de rumores sobre a possibilidade de fundir a Dataprev com o Serpro, outra estatal federal de TI, focada na Receita, visando enxugar quadros e reduzir custos.

A movimentação já vem sendo especulada desde o governo Michel Temer. Com a agenda de privatizações e redução do novo governo, ela ganha ainda mais força.

Ainda nesta semana, o secretário especial de Desestatização e Desinvestimento do Ministério da Economia, Salim Mattar, disse que só estão fora da agenda a Petrobras, Banco do Brasil e Caixa, e ainda assim só nas suas atividades principais.

O presidente da Caixa anunciou dias depois um plano de abrir capital das quatro subsidiárias do banco estatal nas áreas de loterias, seguros, cartões e gestão de recursos.

Caio Mario Paes de Andrade, um empresário com investimentos no setor de tecnologia, foi nomeado presidente do Serpro no começo de janeiro.

Andrade tem experiência em fundos de investimento e fusões e aquisições, o tipo de background necessário para liderar uma fusão entre Dataprev e Serpro.

A Dataprev, fundada em 1974, é responsável pela gestão de tecnologia do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e tem três data centers, localizados em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, mais cinco centros de desenvolvimento de software.

A estratégia de TI do governo federal está em transição desde o final do governo Dilma, com a saída de cena do foco prioritário em desenvolvimento interno baseado em software livre rodando sobre infraestrutura própria a entrada de soluções proprietárias e computação em nuvem de fornecedores privados.

Dataprev e Serpro reagiram ao que é na prática um ambiente mais hostil à sua continuidade da mesma maneira, o que não deixa de ser irônico para quem defende a sua continuidade como empresas independentes.

Ambas estão tentando se posicionar como "cloud brokers", ou administradores das nuvens públicas de AWS, Microsoft, Google e outros.

De acordo com dados do Painel Gastos de TI do Ministério da Transparência de 2017, o Serpro é a empresa de TI que mais vende para o governo. A Dataprev é a segunda.