Carlênio Castelo Branco, CEO da Senior.

A Senior, empresa de sistemas de gestão, acesso e folha de pagamento sediada em Blumenau, acaba de fechar a compra da paulista Mega, com forte penetração em sistemas de gestão para construção, entre outros segmentos.

As empresas não revelaram o valor do negócio, com o qual a Senior supera a casa dos R$ 400 milhões de faturamento e se consolida como a segunda maior companhia do setor no país, atrás da apenas da Totvs.

A negociação durou dois anos e foi intermediada pela consultoria Vaxel.

Em nota, a Senior não chega a revelar qual é o tamanho atual da Mega, apenas que já havia superado sozinha a marca dos R$ 300 milhões entre janeiro e novembro. 

Em 2015, último ano no qual abriu resultados, a Mega faturou R$ 75 milhões. 

Sediada em Itú, no interior de São Paulo, a Mega tem unidades em Curitiba, Recife , Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Natal, o que agrega um aumento de cobertura geográfica para a Senior, especialmente nas regiões Sudeste e Nordeste. 

A Mega vinha "ajeitando" sua operação nos últimos anos, comprando canais representativos espalhados pelo país (um movimento similar ao feito pela própria Senior um pouco antes).

Os três sócios fundadores passaram para o conselho de administração e a diretoria foi concentrada em três profissionais.

São movimentos que facilitam uma aquisição. Agora, os sócios da Mega passam a compor o quadro societário da Senior.

Em 2015, a Mega cresceu 8,5% e não voltou a abrir números desde então, o que parece indicar que ela não cresceu desde então (é o que é possível inferir também dos números divulgados pela Senior).

De todas formas, a companhia conta com 15 canais de atendimento, 500 colaboradores e mais de 2 mil clientes em todo o território nacional.

Já a Senior tem 1,3 mil colaboradores, distribuídos em 20 operações próprias, às quais se agregam 100 canais de distribuição em todo o país. 

Agora é ver como a Senior consegue explorar as sinergias com adquirida para acelerar seus próprios números.

Contando o faturamento da adquirida, a Senior terá um aumento de 40% no faturamento em 2018. Sem a Mega, o número ficaria provavelmente abaixo dos 10%.

Em 2017, a Senior havia crescido 10%, já em uma tendência de desaceleração dos resultados, que haviam sido de 15% em 2016, 16% em 2015 e 24% em 2014.

“A Mega é uma empresa consolidada e com grande representatividade, que irá agregar qualidade de produtos e serviços ofertados. Temos agora mais de 12 mil empresas sob nosso portfólio, além de uma representatividade importante em relação à oferta brasileira de ERP e soluções de gestão, já que ambas as marcas possuem soluções bem avaliadas e reconhecidas no mercado”, destaca o CEO da Senior, Carlênio Castelo Branco.

Branco também destaca que essa é a 12ª aquisição realizada pela Senior nos últimos anos. Apesar de não terem sido revelados valores dos negócios, há grandes chances que a compra da Mega tenha sido também a maior.

“Agora passamos a ter um portfólio ainda mais completo não só para os clientes da Senior, mas também para os clientes da Mega”, comenta o diretor de Novos Negócios da Senior, Alencar Berwanger.

Para Berwanger, o anúncio fortalece a entrada da companhia “no rol das grandes marcas brasileiras de tecnologia”.

A Senior também tem uma meta a la JK, estabelecendo o objetivo de “triplicar o tamanho atingido nos últimos trinta anos nos próximos três”, o que colocaria a empresa próxima da cifra de R$ 1 bilhão.

Com as movimentações recentes, a Senior se posiciona como o segundo lugar indiscutível entre os fornecedores de sistemas de gestão empresarial brasileiros.

O primeiro lugar indiscutível é da Totvs, que faturou R$ 2,2 bilhões em 2017.

A Totvs vem crescendo em um ritmo mais baixo (em 2017, a alta foi de 2,2%), mas mesmo que siga assim e a Senior bata a sua meta "30 anos em 3", ela ainda será o dobro da concorrente.

Vale lembrar que a Totvs acaba de fazer um movimento importante, certamente visando acelerar o ritmo.

Dennis Herszkowicz, ex-CFO da Linx, acaba de assumir o cargo de diretor presidente da Totvs, movimento com o qual Laércio Cosentino, o fundador da empresa, sai do comando no dia a dia para ser o presidente do conselho de administração.

A disputa da Senior para cima parece complicada. Para baixo na tabela, no entanto, a situação da companhia é bem mais confortável.

O terceiro lugar pertence à também catarinense Benner, que em março, ao anunciar a sua própria troca de comando (veio Bruno Primatti, ex-vice presidente executivo da Bematech) disse ter o  meta de dobrar até 2020 para R$ 500 milhões.

Um degrau abaixo estavam empresas como a Mega e a Sankhya, cujo resultado foi de R$ 80 milhões em 2015, e também não tem mais aberto números, um sinal de que o ritmo de crescimento não é mais o mesmo de antes.

Está aberto  o campeonato brasileiro de ERP 2019, meus senhores. Façam suas projeções.