CRISE

Doutores não arrumam emprego

17/07/2018 11:34

O Brasil tem hoje 302.298 doutores, incluindo estrangeiros residentes no país.

Vida está difícil para doutores recém formados. Foto: Pixabay.

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O desemprego entre doutores está em alta no país, tendo passado de 27%, um índice estável entre os anos de 2009 e 2014, para 30,7% em 2016, segundo dados do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), um órgão ligado ao Ministério de Ciência e Tecnologia.

Apesar do aumento ter sido relativamente pequeno, ele marca uma virada de tendência, aponta uma extensa matéria da BBC Brasil sobre o assunto. O país teria formado doutores demais, e, com a crise em curso, a colocação deles no mercado seria cada vez mais difícil.

O Brasil tem hoje 302.298 doutores, incluindo estrangeiros residentes no país. Só no ano passado, foram formados mais 21.609.

Entre 1996 e 2014, o número de programas de pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) triplicou no país, informa o relatório Mestres e Doutores 2015, o mais recente da série. 

Elaborado pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), o estudo revela que o período também registrou um boom na formação de mestres (379%) e doutores (486%) no país.

Em 2006, o país atingiu a meta de formar 10 mil doutores e 40 mil mestres por ano, segundo dados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). 

Em 2014, o Plano Nacional de Educação estabeleceu uma nova meta: a formação de 25 mil doutores por ano até 2020.

A grande maioria deles (74,5%) trabalha na área de educação, que está no momento sentindo os efeitos da crise econômica. 

No caso das universidades federais, a falta de dinheiro é oriunda do corte de recursos no Ministério da Educação, onde o orçamento foi reduzido em R$ 7,7 bilhões em 2015 e de R$ 10,7 bilhões em 2016, segundo dados da própria pasta. 

A Capes, vinculada ao MEC, perdeu R$ 1 bilhão por ano desde 2015; o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), ligado ao Ministério de Ciência e Tecnnologia, também perdeu cerca de R$ 1 bilhão no caixa de 2015 para 2016, o que afeta programas de pós-doutorado, por exemplo.

Nas instituições particulares, o quadro também é pessimista, com a demissão de milhares de professores - a Estácio de Sá, por exemplo, demitiu 1,2 mil docentes em dezembro de 2017 – e o trancamento de matrículas de alunos, que registrou um aumento de 22,4% entre 2011 e 2015, segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).

Sem emprego, os novo doutores estão tentando a possibilidade de um pós-doutorado, cuja bolsa da CNPq é de R$ 4,5 mil.

Mas são candidatos demais para dinheiro de menos: no início deste ano, dos 2.550 pedidos recebidos pelo CNPq, foram concedidas 363 bolsas do tipo. No primeiro calendário de 2017, foram 2392 pedidos e 359 concessões.

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