GUERRA

Itaú zera taxa na maquininha da Rede

18/04/2019 10:50

Medida é um ataque direto a Stone e PagSeguro, prejudicando por tabela também a Linx.

Itaú é uma raposa velha no mercado de cartões e pagamentos.

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O Itaú zerou a taxa de antecipação de recebíveis para clientes da Rede, sua credenciadora de cartões.

A novidade, inédita no setor, é uma “bomba” no setor de adquirência e um “ataque frontal” aos novos entrantes do mercado como Stone e PagSeguro, segundo analisa o site Brazil Journal. 

A medida significa que a partir de 2 de maio, o lojista que vender no cartão de crédito à vista com a maquininha Rede e receber no Itaú terá os valores depositados em dois dias com custo zero de antecipação. 

As condições valem para atuais e novos clientes da Rede com faturamento de até R$ 30 milhões/ano.

O Brazil Journal ouviu fontes da Stone e PagSeguro, para as quais o  dizem que o Itaú está engajando em “concorrência predatória” e “dumping” ao oferecer, a custo zero, um produto que tem no mínimo um custo de oportunidade de 0,5% ao mês (a taxa CDI). 

Além disso, ao oferecer estas condições apenas ao cliente que recebe numa conta no Itaú, o banco estaria fazendo uma “venda casada”, uma conduta ilegal.

Ainda de acordo com a matéria do Brazil Journal, há dúvidas no mercado sobre se o Itaú vai realmente reduzir os custos, ou tentar embutir eles de alguma outra forma para os lojistas.

As regras do jogo estão mudando entre os players já consolidados no mercado, o que pode significar problemas para quem está do lado de fora como a Linx, gigante de software de gestão para varejo que está tentando emplacar um negócio de adquirência, o Linx Pay.

Em um ano, as ações da Linx já subiram 70%, muito embaladas pela promessa de lucratividade da nova operação.

Em outra matéria, o Brazil Journal aponta que a Linx tem feito a seguinte conta para os investidores: se converter metade dos R$ 250 bilhões que passam pelos seus sistemas de gestão em pagamentos processados pela Linx Pay, seu faturamento pode triplicar nos próximos anos. 

Cobrando 1,3% por transação, o novo empreendimento se traduziria em uma receita anual de R$ 1,6 bilhão – mais de duas vezes o faturamento atual.

O negócio, no entanto, é apenas uma promessa. Num evento realizado esta semana pelo Bradesco BBI, a Linx afirmou o valor total processado (TPV) pela Linx Pay está em R$ 850 milhões e vem crescendo 20% a cada semana.

A título de comparação: a Stone processou R$ 86 bilhões em 2018 – 72% a mais que em 2017 – e a PagSeguro, R$ 76 bilhões, o dobro do ano anterior.

Tudo isso no entanto, faz parte das regras do jogo até ontem. Agora tudo mudou.

O mercado já disse o que acha: a ação da Stone caiu 8,6% no pregão estendido da Nasdaq, depois de cair 4,1% no pregão regular. A PagSeguro caiu 1,6% no pregão e mais 5,5% no aftermarket.

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