Marcello Veronese, diretor de tecnologia da Saque e Pague.

A fintech Saque Pague está trabalhando na adoção de funcionalidades de linguagem natural da plataforma Watson da IBM, com previsão de entrada em funcionamento já no segundo semestre do ano.

O projeto é parte de um reposicionamento da companhia gaúcha, que é conhecida pela sua rede de caixas automáticos independentes, mas na verdade oferece uma gama bem mais ampla de serviços para bancos, empresas de meios de pagamentos e outras fintechs.

“Nós oferecemos uma resposta de transformação digital para os clientes, indo desde cofres e tesouraria até soluções de mobilidade, visando substituir a presença de atendimento tradicional. A nosso objetivo daqui para frente é dar um salto em termos de tecnologia”, resume Marcello Veronese, diretor de tecnologia da Saque e Pague.

Veronese é um executivo experiente no segmento financeiro, com uma passagem de 20 anos pelo HSBC, do qual saiu em 2016 como head mundial de multi distribuição, baseado em Londres. De volta ao Brasil, Veronese ocupou o cargo de head de distribuição digital do Bradesco.

O novo diretor de TI é o nome com maior peso a ser contratado para o cargo, pelo qual passaram três profissionais nos últimos quatro anos. Ao todo, o time de tecnologia tem 90 funcionários diretos.

O projeto com a tecnologia Watson é um sinal que a fintech aposta em iniciativas de porte. Hoje, só grandes instituições financeiras como Banco do Brasil e Bradesco tem iniciativas em curso com a nova tecnologia da IBM. A barreira de entrada é grande.

A meta da Saque e Pague é ser um viabilizador para adoção desse tipo de tecnologia para os parceiros que usam sua rede. São 14 já dentro e outros 15 em fase de integração.

O conjunto reúne desde bancos regionais, como o gaúcho Banrisul e o paraense Banpará, até cooperativas de crédito como a Unicred, empresas de cartão como a Edenred Brasil, dona do Ticket Empresarial e Ticket Pagamentos e a fintech de carteira digital Soma+.

O serviço mais visível oferecido pela Saque e Pague são os terminais, que já somam 1,3 mil unidades em 230 cidades de 18 estados do país, sendo o único caixa disponível em 80 deles. A meta é fechar o ano com 2 mil terminais instalados. 

Os caixas da Saque e Pague tem uma funcionalidade que permite que o dinheiro depositado por alguém fazendo um pagamento, ou por uma empresa que usa o ATM como uma tesouraria, seja sacado por um dos clientes dos parceiros.

Essa foi a sacada inicial da empresa, fundada em 2014 e parte do grupo de empresas do empresário gaúcho Ernesto Corrêa, que bancou a adquirente de cartões GetNet até a venda para o Santander e tem outros negócios no setor financeiro como o Banco Topázio e a GoodCard.

A empresa quer construir em cima disso, oferecendo novos serviços, como o atendimento via Watson ou funcionalidades de blockchain, atuando como um fornecedor em um mercado financeiro que nos próximos anos deve se tornar um pouco menos concentrado nos grandes bancos.

“Temos visto movimentações do Banco Central no sentido de diminuir a concentração bancária e facilitar a entrada de novos competidores no mercado. É uma grande oportunidade para a Saque e Pague”, avalia Veronese.

A empresa está bem posicionada para aproveitar as oportunidades. Além do suporte do grupo Ernesto Correa, a companhia tem também por trás a Stefanini, gigante de TI brasileira com forte presença no segmento financeiro, desde 2015 dona de 40% da empresa.

A Stefanini deve funcionar como uma porta para negócios internacionais, que a Saque e Pague já está costurando no México e Colômbia. 

O faturamento da Saque e Pague em 2018 foi de R$ 91 milhões, um crescimento de quase 35% comparado ao período anterior. Para 2019 a previsão é crescer acima de 60% e investir R$ 50 milhões em segurança, tecnologia e em outras áreas.