Uma fotinho e o pagamento está feito. Foto: Divulgação/Havan.

A Havan está oferecendo a possibilidade de pagar pelas compras usando reconhecimento facial em todo o país, por meio da solução da Acesso Digital.

A varejista já usava biometria digital da Acesso Digital desde 2016, mas apenas para autenticação da identidade de seus clientes no crediário, que é o uso mais comum da tecnologia (no período, a tecnologia identificou 10 mil tentativas de fraude, gerando uma economia de R$ 4 milhões).

Agora, os clientes podem pagar as compras tirando uma foto diretamente com um vendedor, sem necessidade de ir ao caixa.

A Havan tem um cadastro dos dados biométricos de 5 milhões de clientes.

“Os resultados são tão positivos que já temos novos projetos à vista com o uso da biometria em outras frentes do nosso processo, como no e-commerce”, diz Patrícia Christiano, gerente de Crédito e Cobrança da Havan.

Apesar de ser mais conhecida pelas lojas físicas, cujo número deve chegar a 150 até o final do ano, normalmente megalojas, a Havan tem uma presença digital sofisticada.

No ano passado, a empresa ficou entre as dez mais bem colocadas no Índice de Maturidade Digital (IMD) da Isobar, que avalia a forma como os consumidores são impactados e experienciam digitalmente as marcas. 

No primeiro projeto com a Meta, a Havan desenvolveu um gateway de pagamentos, que possibilita realizar o registro e emissão dos boletos conectando diretamente às API dos bancos parceiros, minimizando os custos neste tipo de transação. 

Outro projeto de porte foi o lançamento de uma assistente virtual (batizada de Liberdade, como a estátua de 33 metros que decora algumas lojas), usando a plataforma de serviços cognitivos Watson da IBM.

Fundada em 2007, a Acesso Digital se define como “a primeira IDTech brasileira”. 

IDtech é como se definem as startups com soluções de biometria, dentre as quais as de biometria facial estão no momento em alta.

A Acesso Digital começou na área de assinatura eletrônica e nos últimos anos colocou as fichas em biometria facial, inclusive a meta de "se tornar o SPC quando o assunto é reconhecimento facial”.

A empresa afirma já ter informações que permitem identificar um terço da população economicamente ativa do país (a Acesso Digital não abre o número exato mas isso é cerca de 30 milhões de pessoas). 

Bancos digitais como Neon, Digio e Banco CBSS já são clientes da companhia.

MERCADO EM ALTA

O mercado de identificação, ou biometria, é quente, devendo chegar a R$ 1 bilhão até o fim do ano até o final do ano segundo dados da ssociação Brasileira das Empresas de Tecnologia em Identificação Digital (Abrid).

Um dos mercados mais quentes é o de bancos e fintechs, que usam o reconhecimento do rosto como uma forma de evitar fraudes. Outros são o varejo e o comércio eletrônico.

No ano passado, Itaú, Banco Pan, Nubank, SulAmérica, Gol, Viajanet e outros anunciaram projetos na área, muitas vezes sem abrir quem é o fornecedor.

Outros concorrentes vem despontando, embalados por dinheiro de fundos de investimento. 

Uma das que mais levantou dinheiro foi a Idwall. Fundada em 2016, a companhia já recebeu R$ 51 milhões em três rodadas de investimento. A empresa já conta com clientes como Loggi, Movida, Cielo, Banco Original, OLX, entre outras.

A Unike Technologies, uma startup de biometria facial, captou na semana passada um aporte de R$ 3 milhões, em uma transação liderada pela Reussite, fundo liderado por Isaac Lazera, sócio da Extrafarma.

Em junho, a Payface, uma startup de pagamentos por reconhecimento facial, captou R$ 3 milhões em rodada seed liderada pela empresa BRQ Digital Solutions, o fundo Next A&M e a aceleradora Darwin Startups.

Os valores são todos fichinha perto do capital da Acesso Digital, que recentemente levantou nada menos que R$ 580 milhões em rodada série B liderada pelo Softbank e pela General Atlantic.