Cássio Bobsin.

A Zenvia acertou a venda da sua unidade de carrier billing para a norte-americana Syntonic por até US$ 5 milhões. 

De acordo com o site especializado Mobile Time, a compradora vai desembolsar US$ 700 mil à vista e pagará o restante ao longo de três anos e meio, de acordo com o desempenho da operação.

A tecnologia de carrier billing permite que provedores de conteúdo vendam serviços de valor adicionado para usuários de celulares com a cobrança acontecendo diretamente na conta telefônica ou descontada do crédito de pré-pagos. 

É a tecnologia que se usava para comprar um ringtone no celular, por exemplo, ou assinar um serviço de avisos de notícias. A Zenvia entrou nesse mercado em 2012, com a aquisição da Pure Bros, então um dos maiores players no país no segmento.

Com o aumento do uso de smartphones e maiores velocidades de conexão, o mercado de carrier billing está mudando. 

De acordo com a consultoria especializada Ovum, ele seguirá crescendo, mas como um negócio e alto volume e baixas margens. Na Ásia, por exemplo, esse tipo de aplicação é uma forma popular de pagamentos.

Segundo o Mobile Time, a Zenvia faturou R$ 36,1 milhões com carrier billing em 2017 e tem 10 pessoas nessa área. A Syntonic é uma multinacional com capital aberto em Sydney que só atua nesse segmento.

“Queremos alinhar toda a empresa para nosso propósito de simplificar o mundo por meio de conversas inteligentes, por isso, decidimos deixar o negócio de carrier billing e focar nossos investimentos no negócio de mensagens e chatbots, onde somos líderes no Brasil”, disse o CEO da Zenvia, Cassio Bobsin, em entrevista para Mobile Time.

Talvez Bobsin tenha exagerado um pouco ao se proclamar líder na área de chatbots no país, um mercado incipiente e ainda muito fragmentado.

Um levantamento da própria Mobile Time aponta que o número de empresas focadas no desenvolvimento de chatbots cresceu 27% em um ano no Brasil, chegando a 66.

Quase metade das companhias (32) produziram entre 11 e 100 bots durante seu período de mercado. Já 21 empresa criaram entre 1 e 10 robôs de conversação. 

Apenas oito fizeram mais de 100 bots, enquanto quatro companhias desenvolveram mais de 1 mil.

A Zenvia entrou no mercado no final de dezembro, com uma plataforma para criação de chatbots, com tecnologia de processamento de linguagem natural da IBM, Microsoft e Google. 

A empresa um modelo de negócio diferente e bem mais dinheiro para investir.

A ideia vender uma plataforma para desenvolvimento de bots para clientes, parceiros, desenvolvedores e integradores.

Além de mensagens de texto por aplicativos de mensageria, como a maioria dos chatbots, o produto da Zenvia tem também a possibilidade de interagir por SMS, voz, Facebook, chat e e-mail. 

Com 15 anos de mercado, a Zenvia tem hoje 5 mil clientes. A empresa iniciou no mercado de sistemas baseados em SMS, mercado que passou a liderar em nível nacional em 2011, com a aquisição da concorrente paulista Comunika.

O negócio foi embalado com recursos dos R$ 71 milhões do BNDESPar e do fundo de investimentos DLM captados um ano antes.

Em 2016, a receita líquida da empresa foi de R$ 230 milhões, uma alta de 24,4% frente ao ano anterior. Não foram divulgados resultados do ano passado.