CA World é o evento mundial da CA.

A CA anunciou nesta semana o cancelamento do CA World, seu evento mundial, previsto para acontecer neste ano em Miami entre os dias 12 e 16 de novembro.

Quatro mil pessoas eram esperadas para o evento. A CA disse que o cancelamento era resultado da venda da empresa para a Broadcom, um negócio de US$ 18,9 bilhões anunciado em julho e com previsão de ser concluída no quatro trimestre de 2018.

“A decisão foi por cancelar a conferência em vez de reunir tantos dos nossos clientes, parceiros e stakeholders antes de que nós possamos prover um update completo nos nossos planos de integração”, resume a empresa.

Chama a atenção que a decisão tenha sido tomada faltando só oito semanas para o evento, com lugar, palestrantes, participantes e patrocinadores já quase de malas prontas. 

Os ingressos mais baratos para o evento saíam por US$ 1,295. A CA disse que ia reembolsar o dinheiro gasto, mas provavelmente e referia a essa entrada e não a eventuais dias de hotel e viagens aéreas.  

Nem tudo são problemas. Os brasileiros que participam desse tipo de eventos de multinacionais costumam ir a convite das empresas. Os americanos ainda podem passar uns dias na Flórida, sem precisar participar de um evento.

Fora o cancelamento do evento, a aquisição pela Broadcom parece estar progredindo normalmente: os acionistas da CA votaram por aceitar a oferta no dia 12 de setembro. 

A decisão da Broadcom de comprar a CA chamou a atenção do mercado, uma vez que os dois negócios parecem ter muito pouco em comum.

Em nota, a Broadcom disse que a compra era parte da sua estratégia de criar uma “companhia líder em infraestrutura de tecnologia”, uma boa descrição da CA, uma empresa fundada ainda nos anos 70 para fornecer software para mainframes.

Desde então, a CA diversificou bastante sua oferta por meio de mais de 200 aquisições, entrando nos mercados de segurança, gerenciamento de identidades, monitoramento de performance de aplicações, automatização de desenvolvimento de software.

O negócio de mainframe ainda é responsável por mais da metade da receita da CA, que nos últimos anos tem girado em torno de US$ 4 bilhões, os mesmos níveis de 1997.

Com o crescimento da computação em nuvem, a CA andava em um momento algo crítico. com a perspectiva de declínio gradual do tipo de ambientes de tecnologia que a companhia se propõe atender.

Em junho do ano passado, chegou a ser especulado um fechamento de capital da companhia e uma fusão com a BMC, uma das suas principais concorrentes.

A BMC estava na mesma e teve o capital fechado por fundos ainda em 2013.

Para a CA, então, a compra pela Broadcom parece ter sido um bom negócio. Agora é ver o que a Broadcom fará com a CA.

A Broadcom atua num mercado totalmente diferente, investindo pesado em produzir chips e competindo com gigantes como a Qualcomm (que aliás, ela tentou recentemente comprar, numa iniciativa bloqueada pelo governo americano porque a Broadcom era então baseada em Cingapura).

A empresa também está no mercado faz tempo (foi fundada em 1961 como uma divisão da HP) e é uma empresa bem maior, com faturamento de US$ 17,6 bilhões no último ano fiscal.