Oracle pagou companhia para falar mal da Amazon. Foto: Pixabay.

A Free & Fair Markets Initiative, uma entidade sem fins lucrativos que vem fazendo diversas críticas à Amazon desde o ano passado, foi bancada em parte com dinheiro da Oracle e outras grandes empresas concorrentes da Amazon, como a gigante de varejo Walmart e a Simon Property Group, dona de diversos shopping centers nos Estados Unidos.

O financiamento, que não era público, foi revelado pelo Wall Street Journal. Procurada, a Oracle confirmou ter feito doações à Free & Fair Markets Initiative. De acordo com o WSJ, o valor foi de US$ 250 mil por doador.

A Free & Fair Markets Initiative tem feito críticas em mídias sociais sobre o tratamento de funcionários dos armazéns da Amazon, o uso de dados pessoais dos clientes e até a política de consumo de energia da empresa.

Só no Twitter foram mil tweets desde março do ano passado. O alcance é até agora pequeno: só 1,4 mil seguidores.

Mas a Free & Fair Markets é a provavelmente bem mais do que presença em mídias sociais. O grupo é administrado pela Marathon Strategies, uma companhia de relações públicas sediada em Nova Iorque com atuação em ramos como relacionamento com a imprensa e posicionamento em sites de busca, por exemplo.

"Se você não pode competir com preços mais baixos e melhores serviços, então você financia entidades falsas", disse no Twitter o VP de Assuntos Corporativos da Amazon, ao compartilhar a matéria do WSJ. O CEO da Amazon, Jeff Bezos, deu retweet.

No caso da Oracle, o financiamento a Free & Fair Markets Initiative é só mais um movimento em uma briga com a AWS, braço de cloud computing da Amazon, que até na Casa Branca já chegou.

As duas companhias brigam por um mega contrato de US$ 10 bilhões no Pentágono. A AWS é a favorita para levar, mas a Oracle contra-atacou com um processo judicial alegando favorecimento da AWS e ações de lobby que chegaram ao presidente Donald Trump. 

Deu certo: em agosto o Pentágono anunciou que ia revisar a licitação, para averiguar se o processo não feito para favorecer a AWS.

 

O futuro do contrato agora é incerto. Pode contar o fato de que Trump é um inimigo declarado da Amazon. 

Isso porque Jeff Bezos, dono da Amazon e da AWS, é também proprietário do Washington Post, jornal que faz uma cobertura crítica do governo Trump e já foi alvo do presidente em diversas ocasiões, assim como a própria Amazon.

O futuro do contrato agora é incerto. Pode contar o fato de que Trump é um inimigo declarado da Amazon. 

Isso porque Jeff Bezos, dono da Amazon e da AWS, é também proprietário do Washington Post, jornal que faz uma cobertura crítica do governo Trump e já foi alvo do presidente em diversas ocasiões, assim como a própria Amazon.

A Amazon, por sua parte, também não morre de amores pela Oracle. 

Em abril, a empresa fez uma uma pequena comemoração, com direito a discursos e um funcionário fantasiado, para festejar o que disse ser o desligamento do último banco de dados Oracle usado na empresa.

A festa aconteceu na Amazon Fulfilment, o braço da Amazon que faz a logística de entrega de produtos de fornecedores terceiros.

No ano passado, o chefão da AWS, a companhia de cloud da Amazon, disse que a Amazon Retail, que vende os produtos dos estoques da própria Amazon, já tinha desligado o último data warehouse da Oracle e estaria totalmente livre da concorrente até o Natal.

A Amazon Fulfilment agora também está 100% na AWS, usando Aurora Postgres e DynamoDB.