Formação focada no tema chega a Porto Alegre na próxima semana. Foto: Pixabay.

Em um ano que trouxe diversos desafios sem precedentes, como uma migração em massa para o home office em poucos dias, a preocupação com a saúde emocional dos colaboradores parece ter tomado uma proporção nunca antes vista nas companhias. 

Um exemplo disso é a chegada do Chief Happiness Officer (CHO), um profissional cuja função é agir em prol da felicidade dos trabalhadores, à realidade das corporações brasileiras.

Apesar de ser relativamente novo no Brasil — no LinkedIn, é possível encontrar apenas cerca de 30 profissionais do país com o título — o assunto já está em circulação há alguns anos. O primeiro cargo do gênero teria sido criado em 2013, pelo McDonald’s.

Sandra Teschner é uma brasileira que atua como CHO autônoma desde 2015. A profissional tem um background com estudos em música, turismo, administração e, há sete anos, estuda a ciência da felicidade.

“O feliz é um ativo para a empresa. Essas pessoas são mais criativas, melhores negociadoras, mais resilientes, mais aptas a realizar tarefas complexas, têm a mente mais aberta para resolver problemas e trazem, inclusive, mais resultado financeiro para a empresa”, explica a profissional.

Para se tornar oficialmente uma Chief Happiness Officer, ela buscou uma certificação na Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, no ano passado.

Ao longo da sua atuação na área, Teschner já teve clientes como Piccadilly, Shopping ABC, Grupo Morumbi/Multiplan, Pernambucanas, Shopping SP Market, Escola da Vida, Vivo e Alcateia Engenharia de Sistemas.

O método de trabalho de CHOs, que geralmente são consultores como Teschner ou profissionais de RH que lideram projetos na área, inclui pesquisas de clima interno e planos de ação em pilares como engajamento, relacionamentos, significado e realização.  

Além de implantar as medidas propostas, o profissional fica responsável por engajar a liderança, comunicar as ações na empresa e manter o trabalho do tema de forma contínua.

Para Renata Rivetti, diretora e fundadora da Reconnect, empresa paulistana especializada no tema, a chamada felicidade corporativa deve ir além de trabalhar a satisfação, com ações típicas na área de TI como áreas de descompressão e diferentes benefícios, que são apenas um dos pilares da felicidade. 

“Outro pilar é, por exemplo, ter um propósito. Não adianta nada eu ser uma pessoa que está nos bastidores e não entender que o meu trabalho gera uma contribuição para a empresa. Se eu achar que estou fazendo algo somente técnico eu vou ficar muito infeliz”, explica a especialista em felicidade corporativa.

Segundo a profissional, as empresas estão começando a abordar o tema de uma forma parecida como era quando surgiram assuntos como diversidade e sustentabilidade: elas sabem que se trata de algo importante, mas ainda não tornaram isso formal, colocando alguém à frente do assunto — mas a pandemia deve acelerar isso. 

“Com home office, liderança a distância e até uma volta presencial com medo, todo mundo percebeu que não tem como não focar nisso agora. Deixou de ser um tema superficial para ser um tema prioritário”, aponta a diretora e fundadora da Reconnect.

Apostando nas oportunidades do novo cenário, a Reconnect trouxe ao Brasil uma formação em CHO com certificação da portuguesa Happiness Business School, com um treinamento intensivo de três dias.

Até agora, a consultoria já certificou duas turmas em São Paulo e, no dia 30 de novembro, traz a formação a Porto Alegre.

A Zenvia Mobile, companhia gaúcha de plataforma de comunicação e serviços móveis, foi convidada para a formação, onde vai falar sobre suas ações voltadas ao tema, como a flexibilidade do horário de trabalho, aulas de yoga on-line, capacitação de líderes e até o envio de cadeiras para o home office.

Na empresa, o assunto é liderado por profissionais da área de gestão de pessoas.

“O contexto de tecnologia é muito mais diverso, muito mais desafiador, ainda mais quando a gente pensa em culturas remotas. Entendemos que a felicidade é muito mais um caminho que a gente ajuda, e não o que a gente impõe”, ressalta Isabele Terribile, profissional da Zenvia voltada à experiência do colaborador.