VOLTAS

Bônus a rodo nas estatais federais

27/01/2022 11:31

Paulo Guedes veio para privatizar, mas vai acabar pagando salários extra.

Paulo Guedes. Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

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Paulo Guedes, o ministro da Economia que assumiu com planos de arrecadar R$ 1 trilhão com privatizações de estatais, vai acabar tendo que pagar um bônus extra para diretores de empresas públicas, incluindo, de forma inédita, também aquelas que dão prejuízo.

A situação, um desses exemplos das voltas que o mundo dá, foi revelada pela Folha de São Paulo, que divulgou a decisão do governo federal de pagar bônus de até 1,5 salário a diretores de estatais dependentes do Tesouro.

Antes, esse tipo de pagamento só era previsto às estatais que dão lucro e não dependem do Tesouro, como a Petrobras. 

Porém o Ministério da Economia decidiu, em 2021, regulamentar o pagamento nas que dependem de recursos do Tesouro e mesmo nas que apresentaram prejuízo. 

Para que os diretores ganhem os bônus, as estatais precisam passar em alguns critérios, como apresentar aumento de receita ou redução de despesa "em pelo três vezes o valor total da bonificação dos responsáveis pela gestão", afirmou a Economia, em nota.

Parece que é mais ou menos fácil se enquadrar. Segundo revela a Folha, sete das 18 empresas desse tipo pediram ao Ministério da Economia a aprovação do pagamento. Outras quatro ainda avaliam se enviam uma proposta.

Os diretores chegam a ter remuneração mensal de R$ 32,5 mil nessas estatais, segundo relatório de 2021 da Economia. Ou seja, podem acumular bônus de até R$ 48,75 mil. No total, a conta pode chegar em R$ 1 milhão, aponta a Folha.

Já pediram a aprovação do plano de pagamento de bônus neste ano a CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos), CPRM (Serviço Geológico do Brasil), EBC (Empresa Brasil de Comunicação), EPL (Empresa de Planejamento e Logística S.A.), Trensurb (Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre S.A.), HCPA (Hospital de Clínicas de Porto Alegre) e Nuclep (Nuclebrás Equipamentos Pesados S.A).

GHC (Grupo Hospitalar Conceição), Imbel (Indústria de Material Bélico do Brasil), INB (Indústrias Nucleares do Brasil) e Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares) têm até o fim de janeiro para se manifestar à Economia.

Os comandos de outras estatais dependentes, como a Embrapa, recusaram receber o bônus.

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