Programação é a profissão do momento. Foto: Pixabay.

A Trybe, uma escola de formação em desenvolvimento de software fundada há seis meses, acaba de receber um aporte de R$ 42 milhões liderado pelo fundo Atlantico e composto por outros investidores, entre eles Canary, Global Founders Capital, e.Bricks, Maya e Norte. 

A startup já tinha levantado uma rodada de seed capital liderada pelo Canary e com participação de e.Bricks, Maya e Joa (fundo de investimento do apresentador Luciano Huck), somados a pessoas físicas de peso, como Armínio Fraga e Ronaldo Lemos.

A quantidade de capital e a grife dos investidores chama atenção frente ao pouco tempo de mercado de startup e ao número relativamente pequeno de alunos da empresa, que espera chegar a 600 até o final do ano. Qual é o segredo da Trybe então?

A primeira coisa é que a startup é recente, mas liderada por nomes com algum histórico, com cinco sócios que fundaram em 2012 AppProva, outra startup educacional, essa focada em dados e avaliações. 

Ela foi vendida para a Somos Educação em 2017, quando já tinha cinco milhões de estudantes na plataforma.

Outra é o mercado. Desenvolvedores de software são um profissional em alta demanda no país. O mercado aquecido é inclusive tema da popular revista de negócios Exame nesta semana.

Já existe uma oferta grande de companhias focando em formação de mão de obra a partir de diversas abordagens. A da Trybe se baseia em alta seletividade, alto investimento e um modelo de financiamento a longo prazo.

A empresa afirma que investe cerca de 3 a 4 vezes mais que ofertas similares para a capacitação de cada pessoa que se forma no curso, que inclui mentorias individuais e uma série de desafios práticos. 

Os cursos são também intensivos, com duração de seis horas por dia ao longo de um ano (o ritmo e puxado: segunda a sexta, das 14h às 20h). 

Os profissionais são conectados a empresas com vagas, que não pagam à Trybe pelo serviço, o que garante uma oferta grande de oportunidades.

A Trybe teve 4800 inscrições de pessoas interessadas em estudar na turma de janeiro, porém menos de 100 delas foram aprovadas, uma taxa de ingresso similar à de processos seletivos de universidades públicas. 

Por último, o estudante não precisa arcar com nenhuma taxa ou mensalidade até conseguir um trabalho que pague no mínimo R$ 3.500 por mês, o salário de entrada no mercado. O modelo de negócio é conhecido nos Estados Unidos como Income Share Agreement, ou ISA. 

“Isso nos obriga a oferecer não só as melhores práticas de ensino, como também investir cada vez mais na qualidade e formação do estudante. Afinal, se nossos estudantes não forem bons profissionais, eles não terão sucesso e, consequentemente, nós perdemos com isso”, afirma Matheus Goyas, CEO da Trybe. 

Até 2021, a startup, que atualmente tem hubs em Belo Horizonte, São Paulo, Itajubá e Florianópolis, além de operar em mais 12 cidades na modalidade sem hub, projeta alcançar a marca de 3 mil estudantes.