CAPITAL

PradoTech tem fundo de R$ 20 milhões

27/04/2022 08:10

Investimento em startups é parte de uma grande movimentação em Gravataí.

Carlos Gerdau Johannpeter. Foto: Divulgação

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O parque tecnológico PradoTech, um grande investimento em curso em Gravataí, na região metropolitana de Porto Alegre, acaba de criar um fundo de investimento em startups com R$ 20 milhões de capital.

O fundo será operado pela Ventiur, uma aceleradora de startups gaúcha com atuação nacional, e buscará empreendimentos em fase de validação e tração, com objetivo de investir entre R$ 200 mil e R$ 1 milhão em cada uma.

A primeira seleção deve ocorrer já no segundo semestre de 2022. Na mira, uma grama ampla de setores, indo desde Inteligência Artificial e Internet das Coisas (IoT), até Edtechs, passando por Nano e Biotecnologia, Robótica, Indústria 4.0, Logística 4.0, Govtechs e Deeptechs.

Aos investidores, o objetivo do grupo é gerar retorno de 10 vezes o valor aportado, com desinvestimento em cerca de sete anos. 

Além do retorno projetado, os investidores poderão participar diretamente da seleção, ajudar a mentorar as startups e ter acesso privilegiado às inovações.

“Este é mais um importante passo na consolidação do ecossistema do PradoTech. Com a parceria estratégica da Ventiur, conjugamos e viabilizamos a oportunidade de investir em startups diferenciadas”, afirma Carlos Gerdau Johannpeter, presidente do Instituto Prado e fomentador ativo do projeto.

Captar o dinheiro não deve ser um problema. Carlos é filho de Jorge Gerdau Johannpeter, atual presidente do conselho de administração da gigante siderúrgica. 

Ele deixou a carreira de executivo no Grupo Gerdau há quase 25 anos para tocar iniciativas próprias em outras áreas, incluindo a Domus Urbanismo, que está por trás do PradoTech, um investimento de R$ 200 milhões que espera atrair 120 empresas e criar 5 mil empregos.

Criada em 2013, a Ventiur já avaliou mais de 3 mil startups em todos estados brasileiros e investiu em mais de 70 negócios inovadores, avaliados hoje em mais de R$ 400 milhões. 

A Ventiur já fez alguns exits chamativos, incluindo a Devorando, vendida para o iFood em 2016, a Meerkat, vendida para a Acesso Digital em 2020, e a Suiteshare, vendida para a VTEX em 2021.

A aceleradora não é o único nome experiente na área de inovação envolvida na PradoTech, cujo CEO é Susana Kakuta, ex-CEO do Tecnosinos, um parque tecnológico ligado à Unisinos que está entre os mais bem sucedidos do país.

Hoje, o Tecnosinos reúne 121 companhias. São 10 mil empregos diretos, 20 vezes mais do que em 2009.

Outros apoiadores de peso incluem a própria Unisinos, que abriu uma incubadora de empresas no parque, e a secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia de Gravataí, que se instalou no local.

O novo PradoTech, cujas obras serão inauguradas nesta quarta-feira, 8, é um tipo de empreendimento muito diferente de parques tecnológicos tradicionais como o Tecnosinos.

O parque tecnológico da Unisinos, assim como o da PUC-RS e outras instituições de ensino espalhadas pelo país, é um modelo do começo dos anos 2000, que visava alavancar a criação de empreendimentos de base tecnológica.

O PradoTech tem esse viés, mas também é uma evolução dos condomínios fechados que na última década começaram a brotar em Gravataí às margens da Freeway, uma estrada que liga Porto Alegre ao litoral gaúcho.

O parque terá uma área de 30 mil metros quadrados e ficará dentro do Prado Bairro-Cidade, um condomínio fechado (ou bairro privado, como preferem os criadores) de mais de 52 hectares.

O Prado Bairro-Cidade tem lotes mínimos de 600 metros quadrados, dos quais mais da metade já foi vendido, mas também outras ofertas menos típicas.

Ela incluirá no futuro uma unidade do colégio Sinodal, uma instituição de ensino luterana também sediada em São Leopoldo, com ensino bilingue e parceria com universidades americanas e também o Prado Ciudadela, uma área multiuso com restaurantes, supermercado, hotel, banco, shopping center e prédios para consultórios, escritórios e apartamentos.

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