Fé não se converteu com facilidade em novas linhas telefônicas. Foto: Érika Nunes/TJPA.

A Vivo e a Mais AD, operadora virtual móvel ligada à Assembleia de Deus lançada em 2015, encerraram sua relação, depois do serviço não pegar entre os fiéis da igreja.

De acordo com nota da VIvo, a Mais AD tinha 1,6 mil usuários ativos. Conforme a Mais AD, os clientes seriam 9 mil. A diferença provavelmente tem que ver com o prazo para determinar se uma conta deixou de ser ativa.

No modelo de negócio de uma MVNO, sigla em inglês pelo qual empresas como a Mais AD são conhecidas, a operadora fica responsável pelo lado atacado da operação (infraestrutura, cobrança e atendimento) e a operadora virtual faz o varejo, se encarregando do  marketing e vendas dos chips móveis.

O caso da Mais AD parecia promissor. A empresa foi criada por Ricardo Knoepfelmacher (ex-CEO da Brasil Telecom) com o objetivo de se tornar nada menos do que “a maior operadora móvel virtual do mundo“.

A visão era que o produto teria um forte apelo comercial, devido à demanda do público no segmento religioso. A Assembleia de Deus tem mais de 23 milhões de fiéis.

A estratégia, na época do lançamento, previa a venda de SIM cards em 45 templos. Os pastores apoiariam a divulgação, e a MVNO contaria ainda com “voluntários” para levar o chip a novas freguesias.

Aparentemente, porém, as convicções religiosas de uma pessoa não influenciam tanto seu comportamento de compra de serviços de telefonia móvel tanto quanto o esperado, ou a Mais AD não conseguiu emplacar um modelo de negócio junto aos pastores.

Segundo informa o Telesíntese, a cisão entre Vivo e Mais AD se deu por intermédio da Anatel. A Vivo levou à Anatel reclamação de inadimplência por parte da Mais AD, que não pagou a taxa de implementação da MVNO já no começo da operação.

A Mais AD reclamou de a Vivo não repassar valores relativos aos chips ativados. A Vivo afirma que tem a receber R$ 2 milhões, enquanto a Mais AD diz que aguarda o pagamento de R$ 17 milhões. Uma solução a essa disputa, no entanto, ainda será julgada pela agência reguladora.

De maneira geral, o modelo de MVNO parece estar penando para emplacar no Brasil. A primeira MVNO do país, a Porto Conecta da seguradora Porto Seguro, foi lançada em 2013 e fechou as portas em 2018.