Fintechs são uma realidade para cada vez mais consumidores. Foto: Pexels.

Banco Original, Banco Inter, Nubank... Bancos digitais que até pouco tempo eram pouco populares têm marcado uma presença cada vez maior junto à clientela nacional. 

Além delas, uma infinidade de instituições financeiras vem abrindo caminho e competindo em igualdade com operadores bastante tradicionais, oferecendo crédito pessoal online e uma variedade de outros produtos financeiros.

1) Praticidade

A praticidade da digitalização dos serviços financeiros é o fator mais palpável para o consumidor final. Os bancos online costumam cativar os clientes ao não cobrar taxas que os grandes bancos insistem em infligir sobre seus correntistas – manutenção de conta, emissão de recibos, transferências entre contas, entre outras.

Já as empresas financeiras digitais costumam apelar para a facilidade de contratação de crédito a preços competitivos. Ferramentas de comparação e simuladores de empréstimos permitem uma grande transparência ao consumidor sobre as variáveis que incidem a favor ou contra ele, de uma maneira muito mais veloz do que com agentes financeiros em lojas.

Qualquer que seja a fintech, vende-se também a comodidade de abreviar idas à agência e apresentar documentos fisicamente em meia dúzia de operações no celular.

2) Corte de custos

A conveniência trazida em questões operacionais pela digitalização de muitos processos para as empresas é um forte estímulo para a expansão das fintechs.

Não à toa, um levantamento da consultoria em tecnologia CB Insights estimou um novo recorde no financiamento de fintechs ao redor do mundo no terceiro quarto de 2019 – US$24,6 bilhões. 

A automatização de diversos processos, combinada com a contratação de serviços de terceiros por preços reduzidos, promove um grande “enxugamento” de agências de instituições financeiras e de mão de obra. Assim como as startups de todos os ramos, o negócio é “escalável”, multiplicando os ganhos com a economia desses insumos.

Mas, para além dos custos, a atuação das fintechs (e a expansão de suas receitas) também está ligada à grande difusão do comércio eletrônico – e do papel estratégico das operações financeiras para executar os pagamentos, como veremos a seguir.

3) Digitalização dos meios de pagamento

O brasileiro se acostumou a recorrer aos cartões de crédito e débito não apenas pela facilidade, mas também para preservar sua segurança. Embora o uso desse meio de pagamento seja, hoje, bastante difundido, as carteiras digitais vêm ganhando espaço.

De acordo com o relatório World Payment Report, da Worldpay, de 2018, 13% dos brasileiros tinham aderido a esses meios de pagamento. Levando em conta uma população estimada em 211 milhões de pessoas no país, isso é bastante, mas um percentual ainda tímido se comparado com os povos que mais usam pagamentos eletrônicos.

Os chineses têm um protagonismo mundial no uso das carteiras digitais: 65% da população chinesa é descrita como adepta dessas carteiras pela pesquisa.

No mundo, o relatório projeta as carteiras digitais dando conta de 47% das operações financeiras do mundo em 2022 – comparado a 36% em 2018.

4) A governança acompanha

O Banco Central do Brasil tem divulgado uma série de medidas de flexibilizações monetárias e cambiais nos últimos meses. Além das recentes declarações a favor da expansão de permissões para operação no mercado cambial, a autoridade monetária não esconde sua aposta nas ferramentas financeiras virtuais e empresas inovadoras do ramo para baratear o crédito no Brasil de maneira responsável e controlada.

A competição entre máquinas de cartão de crédito portáteis coloca grandes agentes bancários para concorrer, motivando também a participação de novas empresas com diferenciais competitivos. Esse tipo de competição é estimulada num país com o sistema bancário altamente concentrado.

Outro sinal de adaptação do Estado, a reboque do mercado, é que o governo brasileiro passou a computar as criptomoedas na balança comercial do país, embora não as regule. Já o governo chinês anunciou em agosto a intenção de lançar uma criptomoeda estatal, que vem sendo desenvolvida há cinco anos. 

5) Ainda não se enxergam muitas desvantagens

Levando todos os outros fatores em conta, é possível afirmar que as fintechs vieram para ficar porque geram mais benefícios do que desvantagens. É o fundamento essencial para eficiência empresarial e até mesmo para a aferição do mérito em geral.

Entretanto, a resistência enfrentada por iniciativas como o lançamento da criptomoeda Libra, pelo Facebook, revelam receios práticos e regulatórios no setor. Uma empresa com 2,41 bilhões de clientes no mundo pode trazer uma mudança de hábitos de uso de serviços financeiro com impacto global e duradouro. 

Em todo caso, a repercussão entre políticos nos Estados Unidos aos planos do Facebook deixou claro que o debate ainda não está maduro, nem as iniciativas regulatórias. Para viabilizar serviços tão inovadores, grandes mudanças podem vir no modo como as fintechs funcionam e chacoalhar justamente os ganhos comparativos que elas detêm hoje.

Apesar disso, a possibilidade de contratação de um empréstimo online para negativados ou outros serviços financeiros habituais de maneira legítima em criptomoedas num futuro próximo pode ser realidade.