Angelica Vitali, managing director da T-Systems do Brasil.

A T-Systems Brasil vai passar para a o Odata os seus data centers no Brasil, em mais um do que já é uma série de acordos desse tipo assinados nos últimos tempos.

Segundo a T-Systems Brasil divulgou, a empresa vai focar em nuvem, serviços gerenciados, SAP, segurança e IOT, o “core da empresa”, enquanto a Odata assume “a infraestrutura básica de data center”. 

Para usar uma velha máxima do setor de TI: a T-Systems ficará com as coisas com as quais você grita e a Odata assumirá as que você chuta.

As empresas não deram muitos detalhes financeiros do negócio, que ainda está pendente de aprovação das agências reguladoras no Brasil, um tema que ultimamente anda difícil.

“A parceria com a Odata permitirá à T-Systems consolidar sua atuação como importante player para o mercado de tecnologia nesta nova era de transformação digital", explica Angelica Vitali, managing director da T-Systems do Brasil.

A Odata está assumindo dois datacenters wwin-core da T-Systems ambos com certificação Tier III.

O negócio é interessante, porque ainda pouco tempo atrás, era a T-Systems quem estava assumindo a infra de data center alheia.

Em agosto do ano passado, por exemplo, a Atento, maior empresa de call center e terceirização de processos de negócios do Brasil, passou para a T-Systems os três centros de dados da companhia no país, em um contrato de 10 anos.

No começo de 2017, a Isto É Dinheiro divulgou que a T-Systems estava investindo R$ 20 milhões para ampliar seu data center em Barueri, visando atender uma “operadora de telecomunicações”.

Segundo a reportagem do Baguete pode averiguar com diferentes fontes, a operadora em questão era a Telefônica.  

O momento é de mudanças e reposicionamento na T-Systems, no Brasil e em nível mundial.

A T-Systems teve um prejuízo de € 1,36 bilhão em 2017, com o faturamento caindo € 1 bilhão, para € 6,9 bilhões.

O faturamento está em queda desde 2012 e a empresa está no vermelho desde 2009.

Vitali assumiu o cargo em fevereiro e é uma funcionária da carreira da empresa, na qual está desde 2003, nos tempos da Gedas.

Em setembro do ano passado, a T-Systems anunciou um plano de demissões visando cortar 10 mil posições em até três anos, em uma equipe de 37 mil. A meta é economizar € 600 milhões.

O negócio com a Odata provavelmente se enquadra na lógica de corte de custos, com a T-Systems focando no negócio com mais margem de lucro e deixando para o especialista o data center, um mercado cada vez mais comoditizado e concentrado em grandes players.

A Oi tomou uma decisão parecida não faz muito, ao adotar a solução de nuvem privada da Oracle dentro dos seus data centers, em um contrato de cinco anos que foi descrito pelas duas empresas como um “acordo inédito no mundo” e uma das maiores migrações de sistemas já realizadas na América Latina.

Em nota, a Oracle informou que a Oi irá consolidar centenas de bancos de dados em uma cloud privada Oracle, hospedada nos datacenters próprios da operadora.

A Odata iniciou operações em 2015, com dinheiro do Pátria Investimentos, e já opera um data center de alta densidade em São Paulo e recentemente inaugurou uma segunda unidade em Bogotá.

Além disso, a empresa está construindo um campus em Hortolândia, no interior de São Paulo, que deve entrar em operação em janeiro de 2020 como o maior campus de data centers da América Latina. 

O plano de crescimento inclui investimentos na região para desenvolver mais de 100 MW no Brasil e na Colômbia e para expandir as operações internacionais para outros países da América Latina, como México, Chile e Argentina, construindo e operando diversos data centers interconectados.