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Brasil TecPar compra parte da Ligga

Segundo o Brazil Journal, negócio de R$ 500 milhões envolve tudo menos o 5G.

23 de fevereiro de 2026 - 04:03
Novo dono para a Ligga?

Novo dono para a Ligga?

A operadora de telecomunicações gaúcha Brasil TecPar fechou a compra dos principais ativos da Ligga Telecom (a antiga Copel Telecom) por cerca de R$ 500 milhões.

É o que garante o site Brazil Journal, com base em fontes próximas da negociação.

Entraram no pacote comprado pela Brasil TecPar os contratos de prestação de serviços de internet banda larga por fibra óptica para residências, empresas e órgãos públicos.

Uma parte pequena do valor será paga em dinheiro, e a maior parte, em debêntures conversíveis da Brasil TecPar.

Como parte da operação, a Brasil TecPar também vai assumir uma debênture de cerca de R$ 1 bilhão da Ligga, o que ainda precisará de autorização dos debenturistas.

A compra tem outros complicadores, como a necessidade de aprovação do Cade e da Anatel, além das dívidas do controlador da Ligga com grandes bancos.

A Ligga é o maior provedor de serviços de internet do Paraná e seria a maior compra já feita pela Brasil TecPar.

Com mais de 30 anos de mercado, a Brasil TecPar já fez 50 aquisições desde 2016, mas a maioria foi de pequenos provedores no Sul do país.

No ano passado, a empresa já deu mostras de estar aumentando um pouco as ambições ao comprar 55% da Allrede em um negócio de R$ 735,86 milhões.

A Brasil TecPar também está com o caixa reforçado, tendo recebido, em 2025, um investimento de R$ 300 milhões da Macquarie Capital.

Quem está vendendo os ativos é o investidor Nelson Tanure. Segundo o Brazil Journal Tanure está negociando em paralelo a venda da operação 5G da Ligga para a Unifique.

O negócio de 5G da Ligga teria R$ 1 bilhão em ativos, entre créditos, imóveis, caixa e a operação de 5G propriamente dita.

A notícia de que Tanure procurava um comprador para a Ligga circula desde agosto do ano passado. 

Na época, falava-se em uma venda completa por R$ 2,5 bilhões, o que seria próximo do que o investidor pagou na privatização, em 2020.

Depois de ter comprado a Copel Telecom, o empresário incorporou as concorrentes Sercomtel, Horizons e Nova Fibra, expandindo sua presença no Paraná e avançando para outros mercados.

No leilão do 5G realizado pela Anatel em 2021, a Ligga conquistou licenças para atuar nos estados do Paraná, São Paulo, Amazonas, Amapá, Pará e Roraima, assumindo compromissos que somam mais de R$ 1 bilhão.

Em 2023, a companhia fechou um acordo de R$ 200 milhões para dar nome ao estádio do Athletico Paranaense por 15 anos.

O problema da Ligga é que a empresa não gera lucro suficiente para bancar os custos do empréstimo de R$ 1,2 bilhão feito por Tanure com grandes bancos para realizar a compra.

A situação gerou grande rotatividade no comando da Ligga, com trocas constantes de CEO e CFO, entre outros cargos-chave.

A garantia do empréstimo eram ações da própria Ligga, mas os credores preferiram aguardar uma eventual venda no lugar de tomar posse do ativo.

Em junho do ano passado, os problemas ganharam visibilidade adicional quando o Athletico Paranaense e a operadora entraram em litígio, e o acordo de naming rights foi rompido.