GESTÃO

KPIs x OKRs: quem mede melhor o sucesso de sua startup?

Se os KPIs são os sinais vitais, os OKRs são a bússola.

06 de janeiro de 2026 - 08:06
Fabiano Nagamatsu é CEO da Osten Moove.

Fabiano Nagamatsu é CEO da Osten Moove.

Você mede resultados… ou apenas está contando passos? Na era dos dados, medir se tornou padrão em qualquer empresa. 

Startups, em especial, vivem da capacidade de aprender rápido, corrigir rotas e mostrar resultados consistentes para investidores e clientes. Mas medir, por si só, não garante crescimento. O que realmente faz diferença é o que você mede e como conecta presente e futuro.  

É nesse ponto que surgem duas metodologias amplamente utilizadas no mercado: KPIs (Key Performance Indicators) e OKRs (Objectives and Key Results). Apesar de complementares, muitas vezes elas são confundidas ou aplicadas de forma equivocada. A dúvida permanece: qual delas é a melhor para o sucesso da sua startup?  

KPIs: os sinais vitais da sua empresa  

Os KPIs funcionam como sinais vitais do negócio. Eles revelam a saúde atual da operação, apontando métricas essenciais como receita, satisfação do cliente e produtividade da equipe.Assim como um médico avalia pressão arterial ou batimentos cardíacos para entender o estado de um paciente, os KPIs ajudam fundadores e gestores a identificarem se a empresa está saudável no presente.  

Por exemplo, uma startup de tecnologia pode acompanhar KPIs como custo de aquisição de clientes (CAC), churn mensal ou Net Promoter Score (NPS). Esses números mostram de forma objetiva se a operação está no caminho certo ou se há problemas urgentes a resolver.  

O ponto forte dos KPIs é a clareza: eles mostram com precisão o que está acontecendo hoje. No entanto, quando usados isoladamente, podem se tornar armadilhas. Muitas startups acabam obcecadas em otimizar métricas do presente — como reduzir custos ou aumentar ligeiramente a taxa de conversão — sem ter clareza de onde querem chegar no médio e longo prazo.  

OKRs: a bússola que dá direção  

Se os KPIs são os sinais vitais, os OKRs são a bússola. Eles não medem apenas o que já está acontecendo, mas apontam para onde a empresa quer ir e por quê.  

O método de Objectives and Key Results nasceu no Vale do Silício e foi popularizado por empresas como Google e Intel. Sua força está em dar clareza de propósito e em transformar grandes ambições em metas claras e mensuráveis.  

Um Objective é uma declaração inspiradora, como “Tornar-se a plataforma de educação online mais confiável do Brasil”. Já os Key Results são métricas concretas que mostram se o objetivo está sendo alcançado, como “atingir 1 milhão de usuários ativos” ou “reduzir a taxa de cancelamento em 30%”.  

A grande vantagem dos OKRs é a capacidade de alinhar equipes em torno de um futuro desejado. Eles motivam, criam senso de prioridade e evitam que a empresa se perca em métricas operacionais que não movem a agulha da estratégia.  

O erro mais comum das startups  

O erro mais recorrente é acreditar que basta escolher uma metodologia. Muitas startups ficam presas em KPIs isolados, como faturamento mensal, sem olhar para os objetivos estratégicos. Outras, ao contrário, definem OKRs inspiradores, mas não criam mecanismos de controle e acabam perdendo contato com a realidade do dia a dia.  

Nesse cenário, a consequência é previsível e, deste modo, ou a empresa se torna excelente em otimizar pequenos números sem visão de futuro, ou cria planos grandiosos que nunca saem do papel. Nenhum desses caminhos gera crescimento sustentável.  

Dessa forma, a chave não é escolher entre KPIs ou OKRs, mas integrar as duas metodologias. Enquanto os KPIs monitoram o presente, garantindo que a operação está funcionando de forma saudável, os OKRs puxam a empresa para o futuro, dando rumo e propósito.  

Por exemplo, imagine uma startup de logística. Seus KPIs podem incluir tempo médio de entrega, custo por rota e nível de satisfação do cliente. Já seus OKRs podem estar ligados a expandir para cinco novas cidades até o próximo trimestre ou reduzir a emissão de carbono em 40%.  

Ao conectar os dois, a empresa consegue alinhar indicadores de desempenho atuais com metas estratégicas futuras. Assim, a estratégia deixa de ser apenas discurso e se transforma em resultados concretos.  

Desse modo, na prática, não se trata de KPIs versus OKRs, mas sim de KPIs e OKRs trabalhando juntos. Startups que entendem essa complementaridade conseguem unir o melhor dos dois mundos: controle operacional e visão estratégica.  

Enquanto os KPIs respondem à pergunta “Como estamos indo agora?”, os OKRs esclarecem “Para onde queremos ir?”. E somente quando as duas respostas estão conectadas é que o sucesso deixa de ser uma aposta e passa a ser resultado real.   

* Fabiano Nagamatsu é CEO da Osten Moove, empresa que faz parte da Osten Group, uma Aceleradora Venture Studio Capital focada no desenvolvimento de inovação e tecnologia. Conta com estratégias e planejamentos baseados no modelo de negócio de startups.