Leandro Rosa dos Santos, vice-presidente de Estratégia e Inovação da Positivo Tecnologia.
A Positivo, uma das maiores fabricantes de hardware no país, criou um programa interno para incentivar o uso de inteligência artificial na empresa, incluindo também no desenvolvimento de software.
O chamado Citizen Developers dá aos funcionários a chance de construir seus próprios agentes de IA, com o uso de ferramentas no-code e low-code, principalmente com tecnologias da Microsoft.
O programa é baseado nas ferramentas que compõem o Microsoft Power Platform, com destaque para o Power Automate para automação de fluxos de trabalho, o Copilot Studio para criação de agentes conversacionais e o Power BI para análise e visualização de dados.
Na parte de modelagem, orquestração e sistematização de processos de negócio, a Positivo usa o software de BPMS da Zeev, uma das maiores empresas brasileiras nesse nicho.
A iniciativa também contou com o apoio de campanhas, workshops e treinamentos regulares.
“Quando quem vivencia diretamente os desafios do dia a dia passa a ter autonomia para desenvolver soluções, o ciclo de entrega se torna significativamente mais rápido”, afirma Leandro Rosa dos Santos, vice-presidente de Estratégia e Inovação da Positivo Tecnologia.
Para o executivo, permitir que colaboradores não técnicos participem da construção de agentes de IA reduz a sobrecarga das equipes tradicionais de TI e diminui a dependência de fornecedores externos, o que torna o processo mais sustentável para as organizações, entre outros benefícios.
“À medida que exploram ferramentas no-code e low-code, os funcionários ampliam suas competências digitais, passando a ocupar funções mais estratégicas dentro das áreas em que atuam. O resultado é um ambiente em que a inovação emerge de forma mais distribuída, estruturada e alinhada aos objetivos de negócio”, afirma Santos.
Um exemplo prático vem da equipe de Marketing e do time técnico interno. Por meio do uso de ferramentas como o Copilot Studio, analistas participam do desenvolvimento de agentes capazes de automatizar campanhas de marketing, abrir tickets de suporte ou gerar relatórios inteligentes.
Segundo dados do Gartner, o mercado global de plataformas low-code também segue aquecido: projeções apontam que o setor deve chegar a US$ 35,2 bilhões em 2025, com forte expansão à medida que cresce o uso corporativo da IA.
No Brasil, o mercado de inteligência artificial deve movimentar US$ 2,4 bilhões em 2025, impulsionado pela automação e por iniciativas internas de transformação digital.
A Positivo tem sede administrativa em Curitiba, fábricas em Ilhéus e Manaus, além de presença em 17 países da América Latina, além de China e Taiwan. A empresa teve uma receita de R$ 3,68 bilhões em 2024.
A Zeev é resultado da fusão de duas empresas de tecnologia, a Cryo Technologies, focada em fluxos de trabalho digitais, e a SML Brasil, de processamento de documentos.
No final de 2023, a empresa foi comprada pela Stoque, mineira de automação e digitalização de processos e documentos, uma investida da Kinase Investment.
