Sede da Celepar. Foto: Felipe Barboza/Celepar
O governo do Paraná quer no mínimo R$ 1,3 bilhão pela Celepar, estatal de tecnologia paranaense, que vai a leilão na B3 no dia 17 de março.
Vale destacar que a Celepar tem hoje R$ 2,6 bilhões em 134 contratos ativos com o governo, que seria aquilo que um eventual comprador está adquirindo efetivamente.
Poderão participar do leilão empresas brasileiras ou estrangeiras, isoladamente ou em consórcio, além de instituições financeiras, Fundos de Investimento em Participações (FIPs) e entidades de previdência complementar.
O edital estabelece que os interessados deverão comprovar regularidade jurídica, fiscal, trabalhista, econômico-financeira e qualificação técnica, demonstrando experiência prévia na execução de serviços de tecnologia da informação com grau de complexidade tecnológica e operacional equivalente ou superior ao da Celepar.
Mesmo após a desestatização, o estado manterá uma Ação de Classe Especial (Golden Share), mecanismo que assegura direitos de veto em decisões estratégicas, em especial quanto à alteração da sede da Companhia e à transferência das infraestruturas físicas de armazenamento e processamento de dados.
A lei estadual que autorizou a venda estabelece que os dados devem permanecer no Paraná por, no mínimo, dez anos.
Caso seja confirmada, a venda da Celepar será um marco do setor de tecnologia no Brasil.
A empresa seria a primeira estatal estadual de tecnologia (as famosas Prods, criadas na maioria dos casos nos anos 70) a se tornar uma empresa privada.
Mesmo no caso das empresas municipais de tecnologia, presentes nas capitais e algumas cidades grandes do interior, a imensa maioria é pública, com a notável exceção de Curibiba, que tem uma espécie de PPP nessa posição, o ICI.
Fundada em 1964, a Celepar foi a primeira empresa pública estadual de Tecnologia da Informação do Brasil.
Entre 2021 e 2024, a receita da estatal aumentou 75%, chegando a R$ 495 milhões. No mesmo período, o EBITDA mais que quadruplicou, para R$ 151 milhões, e a margem saltou de 18 pontos porcentuais para 30,6%.
Hoje a Celepar é a segunda maior empresa estadual de TI do País, atrás apenas da Prodesp, de São Paulo.
