Josep Piqué. Foto: Eduardo Beleske / PMPA

O Pacto Alegre, iniciativa liderada por Unisinos, PUC-RS e UFRGS para promover um ambiente favorável à inovação em Porto Alegre, apresentou uma lista de 24 projetos de diferentes áreas, envolvendo setores público e privado, com metas previstas já para novembro.

As ideias foram trabalhadas em reuniões prévias de núcleos temáticos, sendo aprovadas pelos representantes das mais de 80 entidades que formam a mesa do Pacto Alegre, uma espécie de comando colegiado da iniciativa.

No dia 2 de dezembro, uma nova reunião do Pacto Alegre vai analisar os primeiros resultados e definir os passos seguintes.

“O município deu uma demonstração concreta de que entende a importância de unir segmentos sociais para gerar inteligência coletiva”, enfatiza o consultor espanhol e coordenador do Pacto, Josep Piqué.

Do total das iniciativas, boa parte tem no seu centro projetos de tecnologia, ou são orientadas para a área de tecnologia, em um sentido mais amplo, incluindo desenvolvimento de software, mas também iniciativas de indústria criativa e polos de inovação.

Frente à prefeitura, as demandas incluem projetos a serem iniciados do zero como  uma identidade digital única com os dados dos moradores da capital, adoção de processos digitais de licenciamento de empresas e do prontuário eletrônico para saúde, além da criação de uma plataforma digital para conectar iniciativas inovadoras da cidade. 

Também estão na lista um plano de dados abertos e editais para adoção de soluções de startups, evoluções de práticas já em curso na prefeitura, assim como um projeto de  projeto de revitalização de uma área de cinco vias do Quarto Distrito, uma área da capital em alta com startups de economia criativa (outro objetivo é uma revisão do plano diretor, o que pode estar relacionado com o Quarto Distrito).

Outras não parecem ter um destinatário muito claro, como a criação de uma plataforma de crowdfunding de startups, um modelo que já existe em mãos de empresas privadas. 

Duas focam iniciativas que tem donos claros, como a criação de um MBA em Ecossistemas de Inovação, o que está na mão das próprias universidades, ou do Instituto Caldeira, um centro de inovação unindo grandes empresas gaúchas, ainda em fase de constitutição.

A lista dos projetos também tem iniciativas que poderiam ser consideradas mais “cosméticas”, mas que cumprem um papel de dar visibilidade do Pacto Alegre para a população, e, em alguns casos, até engajar uma parte dela no movimento.

A iniciativa mais chamativa nesse sentido é a criação de uma nova marca para Porto Alegre, visando tanto uma "estratégia de comunicação de abrangência mundial".

Também estão na lista a criação de "rotas", ou guias focados em temáticas como astronomia e cervejarias artesanais, além de intervenções culturais em espaços públicos.

Nessa linha estão a criação uma plataforma de "coAction para cuidado no uso do espaço público", que deve unir moradores em iniciativas como adoção de praças.

Uma iniciativa que está adiantada é o que é chamado na mesa do Pacto de POA 2020, uma agenda de eventos para a capital no ano que vem, com a meta de colocar Porto Alegre no mapa global da economia criativa e conectar iniciativas já desenvolvidas pelos diversos atores dessa área.

A agenda seria coroada por um evento de grandes proporções, inspirado em iniciativas como o SXSW, de Austin. Um dos nomes cotados seria Fórum Exponencial Mundial, resgatando a “grife” do Fórum Social Mundial, evento que reunia a nata da esquerda mundial nos anos 2000 e pôs a cidade no mapa, de uma maneira ou outra.