Onde o cara consegue uma camisa com esse padrão?

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A Salesforce vai comprar a plataforma de comunicação Slack por um total de US$ 27,7 bilhões, numa transação que envolve dinheiro e ações.

É o maior negócio já fechado pela Salesforce e fica entre os maiores do setor de tecnologia como um todo, taco a taco com a aquisição da Red Hat pela IBM, fechada por US$ 34 bilhões no ano passado, ou a compra do Linkedin pela Microsoft em 2016, que custou US$ 27 bilhões.

Como costuma acontecer nessas ocasiões, os executivos envolvidos deixaram a modéstia de lado.

“Foi um acordo divino. Juntas, Salesforce e Slack vão moldar o futuro do software corporativo e transformar a maneira como trabalhamos no mundo digital”, disse o CEO da Salesforce, Marc Benioff, no comunicado oficial.

Stewart Butterfield, CEO da Slack, não ficou atrás e disse que se trata simplesmente da “combinação mais estratégica da história do software”.

Nem todo mundo ficou tão impressionado.

Para o The Information, uma influente newsletter do Vale do Silício, a Salesforce está fazendo um valor de "fazer saltar os olhos" por uma companhia que "não dá lucro e não conseguiu capitalizar do boom de trabalho remoto gerado pela pandemia como Zoom e a Microsoft".

Com a compra da Slack, a Salesforce está tentando realizar um sonho antigo de tornar a sua solução o canal no qual se realizam uma série de transações hoje resolvidas com emails.

Em 2010, a empresa lançou a Chatter, uma rede social privada para empresas. Seis anos depois, a Salesforce, comprou a Quip, uma startup de documentos colaborativos em nuvens, por mais de US$ 500 milhões. Nenhuma dessas apostas vingou.

O Slack começou como uma tecnologia para desenvolvedores, mas tem ganhado cada vez mais espaço no meio corporativo, oferecendo a possibilidade de estruturar canais de diálogos por tarefas, equipes ou departamentos. 

Em fevereiro, por exemplo, a IBM, que pode ser considerada um cliente corporativo por excelência, fechou um contrato para usar o Slack com 350 mil funcionários, se tornando a maior usuária do software.

De acordo com os últimos números divulgados pelo Slack, ainda no ano passado, o número de usuários ativos diariamente chegava a 12 milhões. 

A cifra, no entanto, é uma fração dos 115 milhões do Teams, vendido pela Microsoft em um pacote com outras soluções populares no meio corporativo. Antes da pandemia, o Teams tinha 32 milhões de usuários. 

Além disso, o Slack dá prejuízo. No ano passado, a empresa ficou US$ 141 milhões no vermelho, com um faturamento de US$ 401 milhões.  

A perspectiva é boa, no entanto: embalado pela onda de trabalho remoto vinda com a pandemia, o Slack cresceu 50% no primeiro trimestre de 2020 em comparação com o mesmo período do ano passado.

Com a compra, a Salesforce também quer manter seus índices acelerados de crescimento, que agradam o mercado de ações.

No ano passado, por exemplo, a Salesforce pagou em junho de 2019, por US$ 15,3 bilhões pela Tableau, uma companhia de software de visualização de dados.

Com a Tableau, a Salesforce apresentou 29% no último ano. Sem a aquisição, o resultado teria sido 23%, uma cifra alta, mas abaixo do resultado de 2018.