O papel do Chief Digital Officer (CDO) foi tema de palestras e debates durante o TD Tour. Foto: Divulgação.

A tendência da transformação digital é uma das responsáveis pelo surgimento de novos cargos ligados à área de tecnologia nos últimos anos. Um deles é o de Chief Digital Officer (CDO), que foi tema de palestras e debates durante o TD Tour, evento realizado na última semana em Caxias do Sul.

O cargo está no radar dos grupos de pesquisa em TI há quase 10 anos, mas o crescimento da posição acelerou no último ano.

De acordo com a PricewaterhouseCoopers (PwC), 19% das 2,5 mil maiores empresas de capital aberto contavam com um CDO em 2017. No ano anterior, a taxa estava em 6%.

A principal função do profissional é ser protagonista no processo de digitalização das empresas a partir de novas tecnologias. No entanto, o executivo precisa lidar também com questões relacionadas à cultura e liderança da companhia.

“As decisões em grandes empresas, como indústrias, ainda ficam a cargo de pessoas ‘dentro da caixa’, então o CDO precisa superar desafios a partir de um trabalho de mudança de mindset”, diz Eduardo Pezzi, presidente da consultoria Amarks.

Para o consultor, além do papel de apresentar novas tecnologias e práticas digitais, o CDO deve ter visão sistêmica, conectar diferentes áreas e lideranças e trabalhar com ferramentas de colaboração.

“O processo de transformação digital exige que as empresas passem a trabalhar orientadas por dados e implementar um modelo bimodal, para manter a operação tradicional enquanto cria novos modelos com inovação. O CDO deve ser o elo entre os módulos”, completa Pezzi.

As obrigações do líder digital também devem incluir o foco no engajamento da equipe para a mudança de cultura, levando o pensamento inovador e o objetivo da companhia para todos os setores.

“O processo de engajar a equipe exige a identificação do propósito maior da empresa, para que seja possível transmitir isso para os colaboradores, gerando consciência do papel de todos, que passam a comprar essa ideia”, relata Esdras Moreira, CEO e co-founder Introduce.

Mesmo com o destaque atual para o CDO, a velocidade das mudanças em tecnologia e tendências cria novas funções rapidamente, fazendo com que os profissionais trabalhem para uma adaptação rápida.

“Os ciclos de carreira e mudanças de função estão cada vez mais rápidos. O CDO existe hoje pela necessidade de transformação digital. Quando essa tendência se tornar padrão, o cargo deixará de existir, então os profissionais precisam manter um ciclo de aprendizado constante”, reforça Rafael Prikladnicki, diretor do Tecnopuc.

Para ele, o profissional precisa estar conectado a todos os movimentos de transformação e se desafiar para não se tornar obsoleto no mercado.