MÁQUINAS

Avell conseguiu fazer a curva

Fabricante de notebooks levou um baque depois do coronavírus, mas já cresce de novo.

02 de fevereiro de 2026 - 08:52
Vladimir Rissardi, CEO da Avell.

Vladimir Rissardi, CEO da Avell.

A Avell Technology, fabricante brasileira de notebooks de alto padrão, fechou o ano passado com um faturamento de R$ 263 milhões, alta de cerca de 25% sobre 2024.

O resultado mostra que a empresa reencontrou o caminho, depois de levar um baque forte após os anos de crescimento acelerado causados pelo coronavírus, quando a companhia quadruplicou a receita em meio a uma demanda sem fim por notebooks para o home office.

Em 2023, o faturamento da empresa sofreu uma queda de 39%, indo de R$ 201 milhões para R$ 130 milhões, em meio a uma “reorganização de processos” na companhia.

Já no ano seguinte, em 2024, a Avell voltou a crescer, aumentando o faturamento em 63% frente ao ano anterior.

Em entrevista ao site Brazil Economy, o novo CEO, Vladimir Rissardi, falou um pouco das medidas para “arrumar a casa”.

A principal foi aumentar o portfólio, que passou de 12 para 25 modelos, o que permitiu diminuir o tíquete médio de R$ 11 mil para R$ 8 mil, aumentando a escala da empresa e ampliando a entrada no segmento corporativo, que saltou de 2% para 27% da receita.

Um aspecto interessante é que Rissardi não tem um background em tecnologia. Ele assumiu como CEO no lugar do fundador em 2024, vindo de uma carreira de mais de 20 anos na gigante de alimentos BRF.

Na visão do CEO, existe uma oportunidade clara no mercado nacional: um “vácuo” entre marcas globais com linhas premium muito caras e marcas de combate focadas em preço. A Avell mira exatamente esse espaço, com produtos acima do básico, mas abaixo do topo das multinacionais.

Outra frente para 2026 é ampliar a presença física para permitir experimentação. Embora a Avell venda hoje essencialmente pelo e-commerce, a empresa já opera showrooms em Florianópolis, Curitiba e Joinville e planeja abrir mais unidades. No radar, está uma loja conceito em São Paulo até o fim de 2026.

NA RAZOR, DEU ERRADO

Os problemas enfrentados pela Avell foram gerais na área de hardware, mas nem todo mundo conseguiu fazer a curva.

A Razor, fabricante de computadores de alta performance sediada em Passo Fundo, no norte do Rio Grande do Sul, fechou as portas no dia 12 de janeiro.

A empresa não resistiu ao acúmulo de passivos e execuções judiciais, às constantes ameaças de suspensão de serviços por credores operacionais e à incapacidade de obtenção de capital externo.