Alexandre Jeselsohn é head comercial da System Advisor.
Pouca gente percebeu, mas o dia 29 de janeiro de 2026 marcou um dos movimentos mais relevantes do mercado global de sistemas de gestão.
A G2 Crowd, uma das maiores plataformas de avaliação de software do mundo, anunciou a aquisição de três gigantes pertencentes ao grupo Gartner: Capterra, GetApp e Software Advice.
Sim, estamos falando da consolidação das quatro maiores plataformas de reviews de software do planeta. A G2 informou que espera concluir a transação no primeiro trimestre de 2026, ainda sujeita às aprovações regulatórias.
O que essas plataformas fazem — e para quem?
Esses portais funcionam como grandes vitrines de comparação de sistemas de gestão. Atendem dois públicos principais:
Buyers: empresas interessadas em adquirir software;
Sellers: fornecedores que buscam expor seus produtos e captar novos clientes.
Os compradores acessam avaliações reais de usuários, comparam funcionalidades, tecnologias, reputação e, em alguns casos, preços. Já os fornecedores utilizam as plataformas para divulgar seus diferenciais e adquirir insights valiosos para suas estratégias de marketing.
Com a fusão, a G2 projeta operar com:
6 milhões de avaliações de compradores
10 mil fornecedores cadastrados
200 milhões de visitas anuais
Mais de 2.000 categorias de software
Um volume impressionante.
E o Brasil nesse cenário?
Apesar dos números globais, a realidade brasileira ainda é bem diferente. Nas conversas que mantenho com gestores de médias e grandes empresas, poucos conhecem — e menos ainda utilizam — essas plataformas como parte do processo de seleção de software.
No mercado nacional, o principal representante é a B2B Stack, considerada a maior plataforma da América Latina, com mais de 1 milhão de acessos anuais, segundo Eduardo Muller, ex-CEO da empresa.
O impacto da consolidação no mercado de software
A G2 já utiliza inteligência artificial para gerar recomendações mais precisas aos compradores — e deve intensificar esse movimento. Para os fornecedores, a combinação de IA com estratégias de busca (AEO e SEO) promete triplicar os sinais de intenção de compra, aumentando a monetização por leads qualificados.
Mas há um ponto importante: a G2 tem atuação predominante nos mercados americano, europeu e asiático. E esses mercados funcionam de forma diferente do brasileiro.
O desafio cultural brasileiro: transparência
Nos EUA, plataformas como a G2 contam com equipes dedicadas a estudar categorias de software e manter contato constante com fornecedores. Já no Brasil, muitos fornecedores ainda tratam seus requisitos como segredo — um comportamento que tende a se tornar um obstáculo.
Com modelos de busca e comparação baseados em IA, quem não disponibilizar informações claras e estruturadas simplesmente não aparecerá no shortlist dos compradores.
Transparência, hoje, é percebida como competência.
E vale lembrar: o que realmente diferencia um fornecedor não é apenas a lista de funcionalidades, mas:
qualidade da implementação
suporte
especialização setorial
experiência do time
capacidade de sustentação
visão e roadmap de produto
Rumo a um marketplace real de software
Depois de mais de 25 anos atuando no mercado de sistemas de gestão, vejo que estamos cada vez mais próximos de um verdadeiro marketplace de software — algo que permita transações completas, seguras e eficientes.
Lembra das primeiras compras online? Era preciso coragem. Hoje é rotina. O mesmo caminho deve acontecer com software corporativo.
As vendas diretas continuarão existindo, claro. Mas o ecossistema tende a se tornar mais híbrido, transparente e orientado por dados.
A System Advisor, por exemplo, atua justamente nessa camada intermediária, complementando o trabalho dessas plataformas e gerando transações reais entre buyers e sellers.
E reforço uma convicção pessoal: o Brasil precisa de soluções brasileiras, feitas por brasileiros, para a realidade brasileira.
* Alexandre Jeselsohn é head comercial da System Advisor.