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INOVAÇÃO

Volkswagen lança car pooling

Maurício Renner
// terça, 05/12/2017 14:55

A Volkswagen vai colocar o seu próprio serviço de transporte compartilhado nas ruas de Hamburgo no ano que vem.

Interior de um dos veículos da Moia. Foto: Divulgação.

As ruas da segunda maior cidade da Alemanha, com 1,7 milhão de habitantes, receberão inicialmente uma frota de 200 vans, com um veículo elétrico da Volkswagen desenhado especialmente para essa finalidade.

O anúncio foi feito pelo CEO da Moia, uma startup de mobilidade criada pela Volkswagen em 2016, durante o Tech Cruch Disrupt em Berlim nesta semana.

A Moia é parte da resposta da maior montadora de carros a ameaças como o crescimento de apps de transporte e a possibilidade veículos autônomos em um futuro próximo.

O novo serviço funcionará dentro do conceito de "pool" já disponível em aplicativos como o Uber, no qual diversos usuários usam o veículo ao mesmo tempo, fazendo com que a trajetória entre A e B seja um pouco mais longa e o preço bem mais barato.

As semelhanças, no entanto, acabam por aí.  A Moia não tem nada da atitude "não peça licenças, peça desculpas" que define a atitude da maioria dos apps de transporte, principalmente o Uber.

A entrada em Hamburgo, assim como teste beta nos últimos dois meses em Hanover, uma cidade de porte menor, com 500 mil habitantes, foi combinada com a prefeitura local e a empresa deve precificar o serviço para ter um custo superior ao transporte público.

Hamburgo, inclusive, está organizando uma feira sobre sistemas de transporte inteligente para 2021, no qual provavelmente a experiência da Moia figurará com destaque.

De maneira mais chamativa, a Moia será a dona da frota, dos postos de recarga e os motoristas serão funcionários próprios, eliminando o risco de problemas trabalhistas e o riscos de conduta inadequada por parte dos motoristas, dois fantasmas que tem assombrado o Uber.

O controle da Volkswagen sobre o serviço é tal que a empresa desenhou um carro específicamente para a tarefa. 

"O conceito de car pooling não decolou até agora em boa parte por motivos psicológicos que tem que ver com o design do carro como um veículo individual", acredita Ole Harns, CEO da Moia.

Olhando desde fora, os carros da Moia parecem uma van mormal. Ao entrar, no entanto, é possível notar algumas diferenças, como um teto um pouco mais alto (seu correspondente mede um 1,8m) e um esforço de design por individualizar os seis lugares disponíveis com recostos especiais para a cabeça, por exemplo.

Iluminação individual, tomadas e wifi também estão disponíveis. Eventuais bagagens são depositadas em um compartimento ao lado do motorista e não na parte de trás, liberando mais espaço.

A equipe de Moia soma 100 pessoas entre a sede em Berlim e uma filial em Helsique produto da aquisição de uma startup local especializada em tecnologia para mapeamento e criação de rotas.

O sistema da Moia funciona com base em paradas de ônibus virtuais, distribuídas a cada 200 ou 250 metros dentro das cidades.

A Moia pretende entrar em outros países do mercado europeu até o final do ano que vem e nos Estados Unidos até 2025.

Como qualquer startup que se preze, a Moia (slogan: "social movement") tem a sua quota de metas grandiloquentes, como a de tirar um milhão de carros de circulação até 2025. 

A empresa tem conseguido se mover com rapidez. Lançada no ano passado, já opera um beta com 20 vans em Hannover desde outubro. O novo veículo foi desenvolvido em apenas 10 meses, o que é um prazo curto no mundo da indústria automobilística.

Os problemas para a empresa e seu approach cauteloso devem se dar à medida em que a Moia queira crescer fora da Alemanha.

A indústria automobilística é um dos carros chefes da economia do país, mas com a perspectiva de carros autonômos cada vez mais real e liderada por gigantes de tecnologia como o Google, o cenário futuro é sombrio.

Durante sua apresentação no Tech Crunch Disrurpt, Harns afirmou que a Moia deve usar motoristas humanos "por muito tempo ainda" mas é claro que um projeto como esse pode servir para a Volkswagen para acumular dados e experiência para eventualmente lançar seus próprios carros sem motorista.

* Maurício Renner faz a cobertura do TechCruch Disrupt em Berlim em um projeto de conteúdo do Baguete com patrocínio da Wow. 

A Wow Aceleradora conta com mais de 150 investidores e  45 startups  investidas desde seu início, em  2013.  Foi pioneira em criar um modelo para organizar pessoas físicas em grupos investimento, que fornecem capital financeiro e intelectual para as startups.  Hoje é a maior  aceleradora do país neste modelo. Para o investidor é uma forma segura e prática de entrar neste ecossistema; para o empreendedor, a garantia de receber, além do investimento, conhecimento e conexões.

Maurício Renner