DECOLAGEM

Pontes será candidato a deputado federal

07/03/2022 07:25

Astronauta está de saída do Ministério de Ciência e Tecnologia.

Pontes vai deixar governo até abril. Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

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Marcos Pontes, ministro de Ciência, Tecnologia e Inovações, vai deixar o cargo em breve, visando concorrer a deputado federal por São Paulo pelo PL. 

Pontes revelou a decisão ao Tele Síntese em Barcelona, onde participa do Mobile World Congress, o maior evento mundial do setor de telecomunicações.

O prazo para Pontes deixar o ministério é 2 de abril, seis meses antes do primeiro turno das eleições. O ministro não revelou quem será o seu substituto.

Ex-militar da Aeronáutica, que foi a cara mais visível do programa espacial do Brasil e o único astronauta do país, tendo participado de uma missão espacial em 2006.

Antes de ser nomeado para o ministério, Pontes vinha aproveitando os frutos da fama, com uma carreira de palestrante motivacional e empreendimentos meio duvidosos como um “travesseiro aprovado pela Nasa”.

A nomeação foi recebida com reticência pelo meio acadêmico, mas é possível dizer que o balanço de Pontes à frente de Ciência e Tecnologia decepcionou mesmo às baixas expectativas depositadas no ministro, ainda tendo em conta a falta de verbas, a crise política e os efeitos da pandemia do coronavírus.

O Ministério da Ciência e Tecnologia sofreu grandes cortes de verbas e perdeu a briga por manter o Ceitec, centro de produção de chips em Porto Alegre em processo de liquidação. 

O único interessado na propriedade intelectual do Ceitec foi a Softex, uma entidade de promoção ao software ligada ao governo federal.

Ainda no ano passado, o CNPq sofreu um apagão nas plataformas Lattes e Carlos Chagas, principais sistemas federais da pesquisa brasileira.

Pontes nunca teve muita influência dentro do governo, mesmo tendo tido a oportunidade de ser uma voz de bom senso em meio à conduta errática do governo federal em relação à pandemia do coronavírus (o que, talvez, fosse uma tarefa impossível para qualquer ministro).

O ponto mais baixo da trajetória talvez tenha sido proporcionado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, que disse numa reunião com parlamentares que considerava Pontes "burro".

Guedes disse que o colega, vive no “espaço” e “não entende nada de gestão”.

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