Funcionários do BV fazem uso pesado de tecnologia. Foto: Divulgação-BV.

O banco BV, nova marca do Banco Votorantim, quinto maior banco privado brasileiro em ativos, migrou para a Google Cloud.

Em nota, o Google revela que todas as transações e operações críticas do banco serão processadas na nuvem do Google. 

O acordo engloba uma frente tecnológica e uma de negócios. A frente tecnológica, já iniciada, envolve um plano acelerado de evolução de aplicações já existentes, com uso de dados e adoção de soluções de Inteligência Artificial e Machine Learning. 

O próximo passo seria a criação de novos produtos de crédito, pagamentos e investimentos para pessoas físicas e empresas, diretamente pelo BV ou por meio de parceiros, plugados na plataforma BV Open. 

Atualmente, o banco conta com mais de 150 parceiros, entre fintechs, marketplaces e outros mais. A estratégia de open banking será suportada pelo Apigee, uma plataforma de gerenciamento de APIs.

“A proposta é unir forças e contar com a tecnologia do Google Cloud para alavancar ainda mais o que o BV já vem fazendo no mercado. Eles agregando conhecimento de inteligência de dados e tecnologia, e nós com a expertise de crédito e outros produtos financeiros, numa busca contínua por inovação para o setor", afirma Guilherme Horn, diretor de Estratégia e Inovação do banco BV.

A diretoria de Inovação foi criada em 2019, com a contratação de Horn para a posição. 

O executivo foi até 2007 o CIO da corretora Ágora, uma das maiores do país, e desde então foi mentor e investidor de uma série de startups, além de participar em instituições importantes do ecossistema como a aceleradora Wayra, a ONG Endevor e o fundo de investidores Anjos do Brasil.

Os contatos de Horn podem ter sido úteis na aquisição do Just, primeira plataforma de empréstimos 100% online do Brasil,  ou na entrada em uma rodada de financiamento de R$ 400 milhões na Neon Pagamentos, realizada em conjunto com o fundo de private equity General Atlantic. 

Em 2019, somou R$ 1,4 bilhão de lucro líquido. O resultado representa um crescimento de 29% em relação a 2018.

“A estratégia do BV em construir soluções através de seus parceiros se alinha com a visão do Google Cloud de que dados e APIs abertas são os habilitadores centrais na transformação dos negócios, além de novas formas de colaboração”, afirma Marco Bravo, Head de Google Cloud no Brasil.

O setor bancário é altamente regulado e com um infraestruturas de TI legadas de grande porte, e por isso fica atrás do mercado em geral quando o tema é adoção de nuvem.

De acordo com uma pesquisa da CIO Surveys, só 16% das empresas do setor de serviços financeiros adotaram nuvens públicas, abaixo da média de mercado de 24%.

Mas existem sinais de que isso está começando a mudar, mesmo no Brasil, em instituições de todo tipo de porte.

Quem parece estar na frente é a AWS, que nos últimos anos fechou contratos com o Digio, plataforma criada pelo Bradesco e pelo Banco do Brasil, e o Fibra, focado em grandes e médias empresas dos setores de agronegócio e corporativo.

O grande triunfo da AWS, no entanto, foi em  novembro de 2020, quando o Itaú fechou um contrato de 10 anos com a AWS, pelo qual um dos maiores bancos do país deve migrar a “maior parcela” de sua infraestrutura de TI dos mainframes e de seus data centers para a nuvem.

Foi uma mudança de rumos significativa, uma vez que, até pouco tempo atrás, o banco estava apostando pesado em construir a sua própria infraestrutura.

Em 2015, o Itaú aumentou em 25 vezes a sua capacidade instalada, construindo um data center em Mogi Mirim com um investimento de R$ 3,3 bilhões.