Linx e Totvs estão em um intercâmbio animado de notas. Foto: Pexels.

Vivemos dias empolgantes para quem gosta de ler trocas de críticas oblíquas entre grandes corporações de tecnologia do Brasil.

Em meio à maior negociação do setor no país, Totvs e Linx voltaram a trocar farpas nos últimos dias.

A Totvs abriu fogo na quinta-feira, 8, ao divulgar uma nota contestando as “informações equivocadas e desencontradas” divulgadas pela Linx em uma nota na semana passada, quando foi revelada a aprovação da proposta de compra da Stone pela Linx.

A companhia decidiu abrir para o público geral informações que haviam sido enviadas para Linx a respeito de possíveis sinergias a partir de uma compra pela Totvs.

Na estimativa da Totvs, a fusão poderia gerar “sinergias operacionais” no total de R$3,2 bilhões, uma redução de custos operacionais de R$ 60 milhões e R$ 160 milhões de receita líquida no quarto ano após a implementação da combinação de negócios.

Além disso, 17 de novembro de 2020 a validade da sua proposta. É a mesma data da assembleia geral de acionistas da Linx na qual será votada em definitivo aprovação ou não da proposta de compra da Stone, já aprovada pelo conselho de administração em detrimento da proposta da Totvs.

A Linx, por sua parte, veio a público defender a escolha do seu conselho, afirmando que a comparação entre as propostas da Totvs e da Stone foi feita de forma “livre, desinteressada, informada e refletida, com a assessoria e pareceres de renomados assessores jurídicos e de assessor econômico-financeiro”, chegando a conclusão que a proposta não era a que “melhor atendia aos interesses da Companhia e de seus acionistas”.

A escolha pela Stone foi dos dois membros independentes do conselho, João Cox e Roger Ingold.

Os fundadores da Linx, Alberto Menache, Nércio Fernandes e Alon Dayan, não participaram da decisão.

Pela proposta da Stone, o trio receberá pagamentos adicionais além do valor das suas ações, o que foi criticado por alguns acionistas e usado como argumento pela Totvs.

Os conselheiros independentes são dois pesos-pesados. João Cox,ex-CEO da Claro, integrante do board de diversas grandes empresas como Braskem, Embraer e Petrobras e Roger Ingold, ex-presidente da Accenture Brasil. 

Segundo revela o Neofeed, o debate sobre a escolha começou na quinta, 01, às 19h e durou mais de seis horas, entrando pela madrugada, e foram ouvidas mais de 40 pessoas dos diversos assessores contratados.

Segundo o fato relevante, ela foi baseada em três aspectos na comparação com as duas propostas: o financeiro, em termos de retorno para o acionista, os riscos regulatórios e os aspectos contratuais.

Em termos de retorno, a análise dos bancos de investimentos Goldman Sachs e BR Partners,  apontou que a oferta da Stone é superior e que faltavam informações que documentem a captura de sinergias sugerida pela proposta da Totvs.

Os fundadores participaram do início da reunião, mas se retiraram das discussões das propostas e voltaram só no final, para assinar a ata.

A oferta da Stone é de R$ 6,3 bilhões pela Linx e prevê 90% do pagamento em dinheiro e 10% em ações. Ela foi alterada, após críticas feita a sua primeira proposta.

Em sua segunda versão, um dos pontos mais criticados da primeira proposta da Stone pela Linx, os valores do acordo de não competição dos fundadores da Linx, Alberto Menache, Nércio Fernandes e Alon Dayan, foi reduzido em até 40%.

Já a proposta da Totvs é uma ação de sua emissão mais R$ 6,20 para cada ação da Linx, o que equivale a R$ 34,26 por papel ou R$ 6,13 bilhões pela companhia.