Gil Torquato.

A UOL Diveo está se reposicionando no mercado, dividindo suas operações em duas empresas diferentes: a Compasso, que focará no lado de desenvolvimento de software e transformação digital e a UD, onde ficará o lado de datacenter da empresa.

“O negócio de serviços de transformação digital e de data center/colocation são bem distintos e demandam formatos diferentes de operação. Nos ajustamos para conseguirmos ter um foco maior em cada uma das frentes e podermos ser mais ágeis e eficientes em criar valor para nossos clientes”, afirma Gil Torquato, que era CEO do UOL Diveo e será CEO da duas novas empresa.

O movimento mais chamativo da divisão é a aposta na Compasso, uma empresa gaúcha na qual o UOL Diveo adquiriu uma participação de 51% em 2013.

Agora, com o novo posicionamento, o UOL está comprando quase a totalidade das ações, tirando uma pequena porcentagem que permanece nas mãos dos cinco sócios originais da Compasso. 

Fundada em 1995 em Passo Fundo, no interior do Rio Grande do Sul, a Compasso era uma parceria Oracle com 170 funcionários e expertise no software de gestão para varejo ATG e em soluções de e-commerce quando foi comprada pela UOL Diveo.

Desde então, muita coisa mudou na Compasso, que hoje soma 1 mil funcionários, um terço deles contratados no ano passado, e uma palheta de serviços que inclui gestão de infraestrutura de software, quality assurance, desenvolvimento, e-commerce e portais.

Mais do que o que, também conta o como: a empresa aposta em métodos ágeis e devops, as tendências do momento no mundo de TI, e lista em seu site conhecimentos em 34 tecnologias, incluindo nomes quentes como Splunk, Docker e BitBucket e nomes consolidados como Google e AWS.

A empresa atende grandes projetos, incluindo iniciativas como o portal de cliente da Vivo ou o desenvolvimento do novo marketplace da Livelo, uma das principais empresas de recompensas do Brasil. A palavra de ordem é “transformação digital”.

“Mais do que entregas de projetos pontuais, estamos fazendo entregas contínuas e mantendo relações de longo prazo”, aponta Torquato. 

A reputação crescente da empresa no  meio corporativo motivou a UOL Diveo a apostar no nome Compasso para a nova companhia, deixando o logo da UOL em uma posição mais discreta, da mesma maneira com o qual a gigante de internet já faz com outra companhia de sucesso, o Pague Seguro.

A nova Compasso deve seguir apostando no modelo de negócios da antiga, que inclui a distribuição do trabalho de desenvolvimento em 13 centros espalhados pelo país.

A lista inclui Passo Fundo, onde hoje trabalham 400 profissionais e uma série de cidades de porte pequeno e médio no interior do país, entre elas Chapecó, em Santa Catarina, ou Erechim, no Rio Grande do Sul, além de grandes centros como São Paulo, Belo Horizonte ou Recife.

A estratégia de apostar em centros menores é complementada com convênios com universidades locais e programas de formação orientados para universitários e profissionais com experiência de mercado, mas interessados em entrar em contato com novas tecnologias.

“Estamos muito orgulhosos com essa nova aposta do grupo UOL na Compasso”, aponta Alexis Rockenbach, que até agora atuava como diretor da Compasso e Head de Inovação do UOL Diveo e passa agora para a função de COO da nova Compasso.

De acordo com Torquato, a nova UD (as letras são as iniciais da antiga UOL Diveo), estará mais capacitada para concorrer no mercado de data center, que nos últimos anos assistiu a entrada de novos concorrentes muito capitalizados como Odata ou Ascenty, além de ver novos investimentos de companhias como Equinix.

“Vamos seguir investindo na nossa estrutura em Tamboré, que está entre as maiores do país”, afirma Torquato, destacando que os planos para curto prazo envolvem investimento de R$ 200 milhões.A decisão de separar o UOL Diveo em duas empresas, assim como os nomes escolhidos para as novas organizações, parecem uma resposta adequada a um problema que afligia a UOL Diveo há tempos.

Entre 2000 e 2012, a empresa fez uma série de aquisições, comprando meia dúzia de empresas com negócios em áreas tão diferentes como serviços de TI, soluções Oracle, testes, monitoramento, meios de pagamento, supply chain, NF-e e SPED.

O ponto alto da movimentação foi a compra da Diveo, uma companhia com forte presença no que então era o mercado de hosting, em um negócio de R$ 693,5 milhões anunciado no final de 2010. 

O lado de TI e o lado de data center dos negócios não chegaram a se reforçar mutuamente, como esperado, e o apelo corporativo do nome Diveo se perdeu com o tempo.

Mas a UOL Diveo não ficou parada. Em 2016, comprou a Dualtec, companhia pioneira no mercado de gerenciamento de ambientes multicloud no país. 

Outros players, como a Tivit, fizeram movimentos parecidos, de olho justamente em ter tecnologia que permitisse trabalhar movendo cargas dos centros próprios para as grandes nuvens públicas.

No começo de 2018, a empresa deixa de atuar com sua rede própria de telecomunicações, uma área de negócios herdada da Diveo, em um passo para focar em projetos de multicloud, big data e analytics. 

A separação em duas companhias é a conclusão lógica desse processo, formando duas empresas com capacidade de competir em uma área de investimento intensivo em equipamentos e infraestrutura, como a UD, e outra em tecnologia e pessoas, como a nova Compasso.