ANÁLISES

Broadcom agora quer o SAS

13/07/2021 03:58

Depois de comprar a CA e a Symantec, gigante de chips tem novo alvo.

Broadcom avalia mais uma compra na área de TI. Foto: Pexels.

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A Broadcom está em conversas para adquirir o SAS, companhia de soluções de análise de dados, no que pode vir a ser o maior negócio já fechado pela gigante de chips no setor de TI.

De acordo com o Wall Street Journal, o preço está sendo negociado entre US$ 15 bilhões e US$ 20 bilhões. A SAS não confirma nem nega a negociação.

Caso o valor fique mais perto dos US$ 20 bilhões, a compra pode ser ainda maior do que a da CA Technologies, pela qual a Broadcom pagou  US$ 18,5 bilhões em 2018 e muito acima dos negócios envolvendo Symantec (US$ 10,7 bilhões) e Brocade (US$ 5,5 bilhões), em 2019 e 2017, respectivamente.

Em qualquer caso, se concluída nessa faixa de valor, a compra deve ser a maior no mercado de analytics, superando a aquisição da Tableau pela SalesForce por US$ 15,7 bilhões em 2019.

Apesar de atuarem todas em ramos bastante diferentes, as aquisições da Broadcom têm em comum o fato de estarem em momentos mais ou menos complicados das suas trajetórias.

O SAS, fundado em 1976, é uma companhia independente e com ações fechadas, uma raridade no setor de tecnologia. Estimativas de analistas apontam para um faturamento de US$ 3 bilhões em 2020, uma queda frente aos US$ 3,2 bilhões frente aos resultados de 2016, em um momento em que software de análise de dados está em alta demanda.

Na visão de analistas do Forrester Research ouvidos pelo TechTarget, apesar de ter soluções de alto padrão, o SAS tem dificuldades de crescimento e está hoje limitada a vender novos produtos para a sua própria base, fazendo cross sell de produtos de análise de dados, machine learning e ciência de dados. 

Ao mesmo tempo, gigantes como AWS, Google e Microsoft têm soluções baseadas na nuvem mirando o mesmo público.

Outra questão ainda é a situação do CEO do SAS, Jim Goodnight, que, com 78 anos de idade e 45 anos à frente do negócio, pode estar contemplando se aposentar. 

Para a Broadcom, uma gigante de semicondutores nascida dentro da HP nos anos 60 e com faturamento na casa dos US$ 24 bilhões, a justificativa da compra seria integrar tecnologia na sua própria oferta.

A estratégia parece ser entrar no mercado de infraestrutura de maneira mais ampla, deixando de ser apenas uma fornecedora de processadores, controladores de rede e chips WiFi (as novas áreas já são um terço da receita total).

Na visão dos analistas ouvidos pelo TechTarget, o SAS não é uma empresa muito diferente da CA, também fundada nos anos 70, ainda focada em mainframes.

A CA expandiu seu portfólio ao longo dos anos com inúmeras aquisições (mais de 200) entrando nos mercados de segurança, gerenciamento de identidades, monitoramento de performance de aplicações, automatização de desenvolvimento de software.

Mas no final das contas, o negócio empacou. A receita nos anos antes da compra ficava na casa dos US$ 4 bilhões, os mesmos níveis de 1997, com a metade ainda atrelada a mainframes, um ambiente computacional que está em declínio (ainda que menos rápido do que os especialistas costumam apontar).

O caso da Symantec é ainda mais claro. Quando da compra, a gigante de segurança estava sem CEO, depois de demitir cinco líderes em oito anos, e com faturamento estagnado.

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