Agibank terá uma sede estilo campus perto de Campinas.

O Agibank, fintech em alta fundada em Porto Alegre, está de mudança para Campinas, onde vai investir R$ 20 milhões na criação de uma nova sede estilo campus a ser aberta em janeiro de 2021.

Na capital gaúcha, a empresa manterá parte das suas operações na sede antiga, junto com uma agência conceito, e apostará no seu espaço dentro do Instituto Caldeira, uma iniciativa de inovação em desenvolvimento.

O Instituto Caldeira está em construção e será um espaço para interação de grandes empresas gaúchas e startups de tecnologia.  O Agibank está entre os apoiadores de primeira hora da iniciativa, junto com nomes como Renner, Sicredi, Panvel, Zenvia e Meta.

O Agibank tem 4 mil funcionários no total, 450 deles na área de TI e cerca de 1,4 mil no Rio Grande do Sul . A operação do Caldeira vai começar com 200 posições. 

Uma outra parte dos funcionários deve trabalhar de casa, uma possibilidade que a companhia está incentivando.

O Agibank não chegou a abrir claramente os números, mas está claro que a maioria dos funcionários daqui para frente deve ficar em São Paulo, estado que concentra a grande maioria dos grandes players do mercado financeiro e fintechs do país.

“Escolhemos Campinas porque ali tem um polo universitário muito forte. A Unicamp tem um dos melhores cursos de data science do Brasil hoje. E tem quatro ou cinco boas cidades ali perto para os nossos colaboradores morarem”, disse o CEO do Agibank, Marciano Testa, em entrevista ao Brazil Journal.

A nova sede é um prédio de 10 mil metros quadrados com direito a  água reutilizável, energia solar e estacionamento para carros elétricos. O local fica no Parque Corporativo Bresco Viracopos, um complexo empresarial com mata nativa, restaurantes e academia vizinho ao aeroporto de Viracopos, onde já estão empresas como John Deere, Azul Linhas Aéreas, Grupo Ultra, Embraer, DHL, Benteler, FCA, dentre outras.

O espaço é dividido em dois pavimentos, interligados por amplas escadas (duas delas em formato de arquibancada), com luz natural. A cobertura tem uma área de descompressão e lazer, no estilo de um rooftop. Nesse espaço, também foi implantada uma usina de energia solar, que abastecerá o edifício. 

É o tipo de sede que se espera de uma fintech de grande potencial como o Agibank, que recentemente recebeu um aporte de R$ 400 milhões da gestora de fundos de private equity Vinci Partners.

Não faz muito, a XP, uma das maiores corretoras de valores do país (também criada em Porto Alegre), também anunciou planos de construir uma sede no estilo campus no interior de São Paulo, seguindo os passos de empresas do Vale do Silício como Google e Facebook.

FUGA DE GRANDES EMPRESAS

Em entrevista concedida à Zero Hora, o maior jornal do Rio Grande do Sul, Testa tentou amenizar a notícia da ida para São Paulo, frisando que a empresa “não está saindo daqui”.

"Tínhamos dificuldade de trazer pessoas para trabalharem aqui, já que São Paulo reúne quem atua no centro financeiro do país", justificou Testa.

No entanto, a notícia não pode deixar de ter o efeito de um balde de água fria para quem acompanha a movimentação recente em Porto Alegre para evitar precisamente esse tipo de decisões de grandes empresas.

É o caso do Pacto Alegre, iniciativa liderada por Unisinos, PUC-RS e UFRGS, visando promover um ambiente favorável à inovação e à retenção de talentos em Porto Alegre.

Junto com Sicredi e RBS, o Agibank aportou R$ 540 mil no início da iniciativa, em novembro de 2018.

Os recursos foram usados para contratar Josep Piqué, um especialista de cacife internacional quando o assunto é sacudir cidades por meio de projetos desse tipo. 

Ele foi um idealizadores do Barcelona @22, um projeto de revitalização de uma área industrial dentro da cidade espanhola não muito diferente da região onde ficará o Instituto Caldeira.

Na época, Testa justificou a decisão de se envolver comentando o problema da falta de profissionais qualificados. Só durante a pandemia, o Agibank abriu 580 vagas.

Na conversa com a ZH, Testa destacou que os planos de mudança estão em andamento desde 2018, o que indica que o Agibank já tinha um plano B (ou A) em mente.

Pode ser doloroso, mas talvez a movimentação do Agibank fosse inevitável e não caiba esperar que uma fintech com projeção de contratar milhares de pessoas opte por fazer isso a partir de Porto Alegre. Organizações com uma história bem mais longa no estado, como a Gerdau, também fizeram as malas.

No final das contas, fica o consolo que o Agibank seguirá mantendo uma presença importante na capital gaúcha em uma operação de pesquisa e desenvolvimento.

No entanto, outras notícias recentes indicam a dificuldade do Rio Grande do Sul de se firmar na nova economia, uma das preocupações de fundo do Pacto Alegre.

Em julho, o Mercado Livre desistiu de abrir um grande centro de distribuição na região metropolitana de Porto Alegre, alegando inflexibilidade tributária do governo do estado.

O tema é agora motivo de briga entre a prefeitura de Gravataí e o governo do Rio Grande do Sul.