Funcionário da Linx na sede da empresa em São Paulo. Foto: divulgação.

A Linx cortou os vales refeição e alimentação dos seus funcionários que estão atuando em home office com salários acima de R$ 2090, como uma medida de redução de custos em função da pandemia do coronavírus.

A medida veio à tona em uma postagem do sindicato gaúcho Sindppd-RS, que se negou a aprovar o corte, aprovado por sindicatos em outros estados do país.

Procurada pela reportagem do Baguete, a Linx disse em nota que a pandemia “afeta severamente o varejo, seu mercado de atuação” e que as “negociações com os demais sindicatos foram atendidas prontamente”. 

A companhia não disse em quais estados a medida já vigora, apenas que eles concentram 65% da sua força de trabalho. Por sua parte, o Sindppd-RS só mencionou que a medida tinha sido aplicada em “São Paulo e outros estados”.

Nenhum dos dois lados quis se aprofundar mais nas informações divulgadas. Não está claro por tanto se o sindicato gaúcho é o único a oferecer resistência, ou em que outros estados além de São Paulo a medida foi implementada.

De acordo com o Sindppd-RS, a Linx tem 500 funcionários no Rio Grande do Sul. Eles recebem R$ 484 de vale refeição, como parte da convenção coletiva, e outros R$ 130 de auxílio alimentação.

“Os funcionários da Linx prosseguem trabalhando de forma remota (home office), cumprindo com os seus contratos de trabalho, e precisam se alimentar. Além disso, não temos notícia de que a empresa dividiria os custos com energia elétrica, internet etc. que os trabalhadores estão tendo em suas casas”, afirma o Sindppd-RS.

O sindicato se diz “disposto a negociar”, mas não abriu para a reportagem do Baguete qual seria a sua contraproposta.

No dia 19 de março, quando os efeitos da pandemia já eram evidentes no Brasil, ,a Linx divulgou um comunicado para investidores, alertando sobre “possíveis perdas” para a empresa a partir da segunda quinzena do mês.

Na nota, a menciona consequências negativas para os níveis de inadimplência, novas vendas, implementação de projetos, ativação de lojas, receita vinculadas ao volume de transações (principalmente em Linx Digital e Linx Pay) e churn decorrente do fechamento de lojas. 

A companhia aponta ainda que “uma forte desvalorização cambial” pode influenciar os patamares de custos, principalmente aqueles vinculados à nuvem pública.

A receita operacional líquida da Linx foi de R$ 182 milhões no quarto trimestre de 2018, avanço de 15,7%, em comparação ao ano anterior, de acordo com os últimos resultados divulgados.

A NOTA DA LINX NA ÍNTEGRA:

“Diante dos efeitos da pandemia da Covid-19 e de todo o impacto na economia do país, que afeta severamente o varejo, seu mercado de atuação, a Linx solicitou aos Sindicatos da categoria a suspensão do fornecimento de Auxílio Refeição/Alimentação (o Vale Alimentação é uma liberalidade da empresa, não prevista em CCT da categoria) enquanto seus colaboradores estiverem em home office – seguindo as orientações das autoridades médicas e sanitárias. Os benefícios, no entanto, estão mantidos para os funcionários que recebem até R$2.090,00 – dois salários mínimos.

Para os colaboradores que excepcionalmente precisarem trabalhar presencialmente nos escritórios, o pagamento de refeição e transporte será feito via reembolso.

Também esclarecemos que as negociações com os demais sindicatos foram atendidas prontamente e representam 65% da nossa força de trabalho.”