Uma pilha de dinheiro para startups de IoT. Foto: https://www.flickr.com/photos/zetotal/

A Qualcomm Ventures, braço de investimentos da gigante de chips Qualcomm e o BNDES acabam de lançar um fundo de investimento em participações de R$ 160 milhões focado em startups que desenvolvam produtos e serviços para Internet das Coisas.

Com o objetivo de fomentar o desenvolvimento de IoT no Brasil, o fundo irá apoiar startups em estágio inicial (capital semente e financiamento de série A, como é conhecido no jargão de investimentos o primeiro aporte feito por um fundo).

A Qualcomm e o BNDES planejam investir 50% do valor total esperado para o fundo, o equivalente a R$ 80 milhões. Outros investidores serão convidados a participar e ajudar na composição do valor integral.

Qualcomm e BNDES não revelaram quanto cada um colocou no fundo, mas normalmente o banco estatal de fomento coloca uma parte menor.

O portfólio atual do BNDES contém 43 fundos ativos, com capital comprometido de, aproximadamente, R$ 3,3 bilhões, que juntos com os demais investidores, somavam capital comprometido total de R$ 16 bilhões. 

Ou seja, para cada R$ 1,00 que o BNDES comprometeu em investimentos, aproximadamente R$ 3,85 foram comprometidos por outros investidores.  

O fundo será administrado por um gestor profissional a ser selecionado pela Qualcomm e pelo BNDES através de um edital de seleção

“A criação deste fundo está em linha com a visão estratégica da Qualcomm de impulsionar o ecossistema de Internet das Coisas no Brasil. Queremos nos engajar com empresas líderes em diferentes verticais, de maneira a explorar o potencial do país como produtor de tecnologia”, explica Rafael Steinhauser, presidente da Qualcomm para a América Latina. 

A política de investimentos do fundo deve contemplar empresas com aplicações de hardware, software e análise de dados, voltadas para áreas estratégicas, tais quais: manufatura 4.0, smart cities, saúde, smart agro e IoT residencial. 

Além disso, o fundo está alinhado com o Plano Nacional de Internet das Coisas, política pública lançada em junho de 2019 com o objetivo de desenvolver o ecossistema de IoT no Brasil. 

“Temos visto movimentações do Banco Central no sentido de diminuir a concentração bancária e facilitar a entrada de novos competidores no mercado. É uma grande oportunidade para a Saque e Pague”, avalia Veronese.

Esse é o segundo fundo do BNDES focado no tema IoT: em junho do ano passado foi anunciado uma inciativa mais modesta, com R$ 20 milhões em financiamento a fundo perdido.

O valor mínimo a ser liberado pelo BNDES é R$ 1 milhão, limitado a 50% de cada projeto. A outra metade deve ser contrapartida de quem levar o dinheiro.

O governo federal tem feito muito barulho em torno do assunto de IoT como um viabilizador da chamada Indústria 4.0, na qual sensores em maquinário e produtos combinados com softwares analíticos abrem uma série de novas possibilidades. Neste ano, foi lançado um Plano Nacional de Internet das Coisas.

O secretário de Política de Informática do Ministério de Ciência e Tecnologia, Maximiliano Martinhão, chegou a dizer que o investimento em IoT será um marco para a economia brasileira, comparável ao processo de privatizações ocorrido na década de 1990.

Conversa à parte, um acontecimento importante no ano passado foi a decisão de não considerar a tecnologia como como um serviço de telecomunicações.

Com isso, o setor deverá ter uma carga tributária específica e não os atuais 45% pagos atualmente pelos serviços de telecomunicações.