Iza, garota propaganda da TIM: "Cadê o data center que estava aqui?".

A TIM vai migrar os seus dois data centers, localizados no Rio de Janeiro e em São Paulo, para a nuvem da Azure e da Oracle, em um projeto a ser executado ao longo dos próximos dois anos.

Em nota, a TIM afirma que a iniciativa torna a operadora a primeira empresa do setor no no Brasil a migrar para a nuvem “100% dos seus datacenters”.

A migração envolve sistemas de atendimento ao cliente, operações internas, faturamento, arrecadação e gestão de plataformas digitais.

A TIM é bastante vaga no texto sobre o que isso significa na prática, sem dar indicações, por exemplo, sobre como serão distribuídas as funções entre os dois fornecedores.

Segundo a TIM, o projeto envolve um conceito de suporte integrado em que a conexão entre os datacenters das duas empresas gera uma “experiência única”. 

Oracle e Microsoft tem um acordo desde 2019 que permite a execução dos processos em ambos os ambientes com redundância. 

Provavelmente, a TIM rodará os processos em uma nuvem e usará a outra como backup, mas não abriu isso para não melindrar os seus parceiros. 

Se a reportagem do Baguete tivesse que fazer uma aposta, diria que a Microsoft, um player muito maior do que a Oracle em computação em nuvem, é a ficha 1.

“Nossa proposta é levar a experiência do cliente a um novo patamar, com mais eficiência e agilidade, sempre com os mais altos níveis de segurança. Somos a primeira operadora a promover uma mudança com essa dimensão, antecipando também iniciativas ligadas a governança e sustentabilidade”, afirma Pietro Labriola, CEO da TIM Brasil.

Em maio do ano passado, a TIM Brasil contratou o Google Cloud para usar a plataforma de nuvem da empresa para fazer big data, analytics e machine learning.

Por meio do acordo, a operadora também faria uso de outros serviços da plataforma Google Cloud, como BigQuery, Dataproc, Dataflow, Cloud Composer, Data Fusion e Google Kubernetes Engine.

No final de 2019, a a Telecom Italia, controladora da TIM Brasil, fechou um acordo bem mais amplo com o Google, visando a adoção das tecnologias da empresa tanto internamente como externamente, com a criação de uma companhia separada focada no mercado de computação em nuvem na Itália.

Na nota sobre o acordo com a Oracle a Microsoft, a TIM não menciona o Google, então não dá para saber se o projeto do ano passado segue, ou se ele está sendo transferido para os novos fornecedores.

A TIM contou vantagem de ter feito a primeira migração para a nuvem entre operadoras brasileiras, o que é verdade, mas a Oi anunciou um projeto similar em 2019.

Na época, a operadora anunciou a adoção da solução de nuvem privada da Oracle dentro dos seus data centers, em um contrato de cinco anos que foi descrito pelas duas empresas como um “acordo inédito no mundo” e uma das maiores migrações de sistemas já realizadas na América Latina.

A Oi iria consolidar centenas de bancos de dados em uma cloud privada da Oracle, hospedada nos datacenters próprios da operadora. Não se sabe qual é o status atual do projeto e muita coisa aconteceu na Oi desde então.

Ao contrário de concorrentes como Oi, Claro e Telefonica, a TIM nunca teve um negócio focado em oferecer computação em nuvem para clientes corporativos, algo que começou com força no Brasil em 2012, quando a resposta por quem iria dominar o mercado de cloud ainda era uma incógnita.

Hoje, está claro que é um jogo para poucos, incluindo principalmente AWS, Microsoft e Google, com meia dúzia de outras empresas correndo por fora em nichos.

Nos últimos tempos, as operadoras parecem ter se dado conta que não tem como criar uma oferta competitiva de cloud computing com tecnologia própria para o mercado ou para uso interno.

A movimentação tem sido fechar acordos com os grandes players de tecnologia e enxugar a quantidade de data centers.

No final de outubro de 2019, a Oi anunciou que ia vender pelo menos uma dezena de data centers no Brasil, como parte de uma estratégia mais ampla de se livrar de “ativos não estratégicos” e capitalizar a operadora para investimentos em novos desafios no seu negócio principal, como o 5G.

Os data centers da Telefônica no Brasil, assim como outras estruturas do tipo pelo mundo, estão à venda, em um negócio avaliado em US$ 600 milhões que está sendo disputado por Brookfield, Digital Realty e Equinix.

Uma exceção é a Claro. Em outubro de 2019, a operadora comprou 40% da Ustore, uma startup pernambucana com forte presença no campo de soluções para infraestrutura na nuvem,  a base tecnológica dos chamados ambientes multicloud.

O software dos pernambucanos faz rodar o Painel MultiCloud Embratel, que oferece gestão, bilhetagem, orquestração e provisionamento de recursos, serviços e aplicações de múltiplas nuvens públicas e privadas.

A Embratel tem cinco data centers próprios no Brasil e tem planos de se tornar um dos maiores players no mercado de TI brasileiro nos próximos anos, com uma oferta indo desde telecomunicações até implantação de sistemas, passando por outsourcing de TI, service desk e fábrica de software.

A Claro pretende reproduzir no Brasil por meio da Embratel o seu posicionamento no México, onde disputa mercado com IBM, HPE e Softtek desde que comprou a Hildebrando em 2013.

Um dos principais desafios é superar a desconfiança dos compradores corporativos sobre a qualidade dos serviços.

A Frost & Sullivan fez uma pesquisa com 121 diretores de tecnologia de médias e grandes empresas do país em 2013, na qual 20% sustentou que não confiava no serviço fornecido pelas operadoras.

Empresas de data center sofriam a desconfiança de só 3% e os grandes players globais de TI, 3%.