Marcos Peigo é o líder de novo player de data center.

O fundo de investimentos americano Colony Capital comprou a operação de data center do UOL, conhecida como UOL Diveo, a partir da qual está montando um novo player no mercado brasileiro, a Scala Data Centers S/A.

Não foi revelado o valor do negócio. De acordo com fontes ouvidas pela Bloomberg, o fundo avaliou os ativos adquiridos entre US$ 300 e US$ 400 milhões, algo entre R$ 1,6 bilhão e R$ 2,1 bilhões, com o dólar em R$ 5,46.

Quase uma década atrás, no final de 2010, a UOL comprou a americana Diveo por R$ 693,5 milhões, o equivalente a cerca de US$ 412 milhões, em um ano no qual o dólar chegou a bater na hoje inacreditável quantia de R$ 1,68.

O novo Scala Data Centers S/A será liderado por Marcos Peigo, ex-VP de Global Markets da IBM para América Latina, e, mais importante ex-COO da própria UOL Diveo entre 2015 e 2017.

Peigo foi fundador da Solvo, uma companhia de serviços gerenciados focada em infraestrutura de missão crítica adquirida pela UOL Diveo em 2014.

Segundo disse a Bloomberg Marc Ganzi, executivo da divisão de digital da Colony que deve assumir o comando de toda a empresa em julho, o novo Scala Data Centers já nasce como um dos maiores players no país e deve crescer por meio de aquisições.

Ganzi também revelou que as negociações já vinham há um ano e que “a maior” parte já havia sido concluída antes da entrada na quarentena (certamente, o coronavírus não deve ter prejudicado muito o comprador, num momento em que o Grupo Folha precisa de capital).

"A estratégia de investimentos da Scala na América Latina é bastante agressiva e seus data centers de qualidade viabilizarão a chegada da nova geração de conectividade e mobilidade na região", afirma Peigo.

Em fevereiro, já com as negociações com a Colony adiantadas, a UOL Diveo anunciou um reposicionamento no mercado, dividindo suas operações em duas empresas diferentes: a Compasso, que ficou com o lado de desenvolvimento de software e transformação digital e a UD, onde ficou o lado de datacenter da empresa, agora vendido.

Na época, chamou atenção a decisão da empresa de prescindir do nome UOL Diveo, que já tinha bastante reconhecimento, e apostar as fichas na marca Compasso, uma empresa gaúcha na qual o UOL Diveo adquiriu uma participação de 51% em 2013.

Com o novo posicionamento, o UOL comprou quase a totalidade das ações, deixando apenas uma pequena porcentagem nas mãos dos cinco sócios originais da Compasso. 

Fundada em 1995 em Passo Fundo, no interior do Rio Grande do Sul, a Compasso era uma parceria Oracle com 170 funcionários e expertise no software de gestão para varejo ATG e em soluções de e-commerce quando foi comprada pela UOL Diveo.

Desde então, muita coisa mudou na Compasso, que hoje soma 1 mil funcionários, um terço deles contratados no ano passado, e uma palheta de serviços que inclui gestão de infraestrutura de software, quality assurance, desenvolvimento, e-commerce e portais.

Visto agora, com conhecimento das negociações com a Digital Colony, o movimento faz muito mais sentido. O UOL apostou no negócio de serviços e desenvolvimento de software, um mercado para o qual o nome UOL Diveo não era tão representativo. 

"A UOL Diveo continuará a prover serviços de infraestrutura baseados na parceria com a Scala, além de serviços gerenciados, multicloud, segurança, desenvolvimento de software e soluções digitais a partir de sua companhia de serviços, a Compasso UOL", afirma Gil Torquato, CEO da nova Compasso UOL. 

A Digital Colony, braço de investimentos digitais da Colony, tem muita bala na agulha.

No ano passado, a empresa gastou US$ 14,3 bilhões para levar a rede de fibra ótica da Zayo Group Holdings, presente nos Estados Unidos e Europa.

A companhia também comprou a Highline do Brasil um fornecedor independente de soluções de infraestrutura para o setor de telecomunicações, de propriedade do Pátria Investimentos que atende clientes como TIM, Vivo, Claro e Oi.