A área de tecnologia está no meio do caminho quando o assunto é transformação digital. Foto: Pixabay.

A área de tecnologia está no meio do caminho quando o assunto é transformação digital - o conceito do momento, que as mesmas empresas tentam vender para os seus clientes finais.

Pelo menos, é o que parece apontar uma pesquisa da Fesa, consultoria de executive search, que ouviu 65 executivos brasileiros em áreas relacionadas com tecnologia, a maior parte deles em altos cargos de fabricantes de software, empresas de serviços e consultoria, todas elas com mais de 100 funcionários.

Todos estão de acordo  com a importância do tema com a grande maioria estando de acordo com a preposição que "transformar fundamentalmente" o trabalho e "impactar positiva ou negativamente" a competitividade.

O conceito de transformação digital é uma mudança no modelo de negócio da empresa, por meio da adoção de novas tecnologias.

Muitas vezes é difícil ver como isso se concretiza no mundo real, o que não tem impedido a indústria de TI de usar o termo para avalancar vendas de computação em nuvem, Big Data, IoT, software analítico, preditivo, e, no final das contas, qualquer coisa que se queira vender.

Na prática, como costuma acontecer, a teoria é outra, como mostra a percepção que as próprias empresas de tecnologia pesquisadas pela Fesa tem sobre o avanço, que mostra o clássico cenário no qual na casa do ferreiro o espeto é de pau. 

Numa escala de 0 a 10, os entrevistados se deram uma nota 6,62 sobre o grau de maturidade tecnológica.

Talvez de forma mais reveladora, ao descrever o nível da sua empresa em termos de transformação digital, a resposta mais popular foi: "Algumas áreas já contam com tecnologias e aplicações digitais e já estão familiarizadas com os novos processos de trabalho", marcada por 34%.

Outros 11% disseram que algumas áreas já tem as aplicações, mas não estão familiarizadas com as mudanças.

Por outro lado, 31% responderam que todas as áreas tem as aplicações e que a maior parte delas está familiarizada.

Um grupo de 9% falou ter atingindo a "transformação digital plena".

Quando questionados por até três opções de habilidades em falta nesse contexto, 51% mencionaram "predisposição para experimentar e assumir riscos".

Também chama atenção o fato de 42% terem mencionado "falta de habilidade para usar tecnologia de social, mobile, analytics e cloud".

Mesmo assim, numa escala de 0 a 4, os participantes se deram uma nota 3,10 no uso dessas tecnologias, com 68% afirmando fazerem uso.

Outras tecnologias como análiticos avançados, big data e análise preditiva se saíram pior, com notas como 2,82, 2,58 e 2,38. Nos últimos dois casos, metade dos entrevistados disse fazer pouco ou nenhum uso dessas tecnologias.

Quando questionados por barreiras, 40% citaram tempo e orçamento insuficientes, 38% prioridades concorrentes e 32% falta de agilidade organizacional.

Chama atenção também as áreas dentro das empresas em termos de adoção de práticas de transformação digital.

Marketing e vendas, território fértil para adoção de tecnologias por conta própria, o chamado shadow IT, lideram com 34% e 21% das menções.

As áreas de TI e pesquisa e desenvolvimento ficam atrás, com 12% e 11%.

O Fesap é uma consultoria especializada em estratégia de capital humano. 

O grupo foi fundado há mais de 20 anos pelo economista Alfredo Assumpção, uma referência brasileira em termos de headhunting.

A pesquisa sobre “Transformação Digital em Empresas de Tecnologia” foi desenvolvida pela marca Fesa e conduzida pela empresas de pesquisas Flemming Associados.