E agora? Foto: Pexels.

O mais recente levantamento do IBGE indica que população ativa na internet acelera a um ritmo de 10 milhões de novos usuários por ano no Brasil. A novidade desta pesquisa é que o grupo acima dos 60 anos de idade é o que percentualmente mais aumentou.

No país, Porto Alegre é a capital brasileira com maior proporção de idosos acima de 60 anos, de acordo com dados divulgados pelo Observatório da Cidade de Porto Alegre. 

Em 2019 a cidade, pela primeira vez na sua história passou, a ter mais idosos do que adolescentes. Porto Alegre está em sintonia com o mundo. De acordo pesquisa da ONU, há 705 milhões de pessoas acima dos 65 anos e 680 milhões de crianças entre zero e quatro anos de idade.

A entrada de idosos na internet é sem dúvida um fato positivo. Mark Zuckerberg declarou em 2011 que o Facebook serviria para unir as pessoas – a fazer do mundo um lugar melhor para se viver. Hoje, de fato, é comum ver avós e netos mantendo contato pelo WhatsApp e Instagram. Se o mundo melhorou de lá para cá, é um assunto controverso.

Alto compartilhamento de dados falsos

Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos identificou que cidadãos acima dos 65 anos compartilharam sete vezes mais notícias falsas do que os mais jovens. O estudo, conduzido por Andrew Guess, da Universidade Princeton, e Jonathan Nagler e Joshua Tucker, da Universidade de Nova York (NYU), foi publicado pela revista Science Advances.

Em pouco mais de vinte anos construímos uma verdadeira sociedade digital. E a alta propensão dos idosos em cairem nas chamadas fake news levanta um sinal de alerta.

Se compartilhar notícias falsas pode ser até certo ponto inofensivo para o próprio idoso, por outro lado existem muitas outras armadilhas potencialmente perigosas, especialmente quando se trata de sites de comércio eletrônico, serviços financeiros e até mesmo programas, como VPN. Mas como saber se um site é realmente seguro?

Além de consultar a opinião de outros usuários em sites especializados, é preciso conferir se a página tem dados criptografados, por exemplo.

As ameaças virtuais sempre estiveram na internet, mas o grupo de internautas novatos ainda não adquiriu os anticorpos que o protegeria das pragas cibernéticas.

Porque os idosos são mais suscetíveis a golpes online

Evertt Rogers, um professor de comunicação e jornalismo da universidade do Novo México (EUA) buscava entender e explicar aos seus alunos as etapas da difusão das inovações. 

Ainda no início dos anos 1960, publicou o livro Diffusion of Innovations, no qual cunhou alguns termos que são referência no Vale do Silício até hoje. É de lá que vem o early adopter, uma categoria de consumidor, e também um arquétipo, caracterizado pela voracidade em relação às novidades tecnológicas.

Os early adopters da internet foram os jovens do final dos anos 90 e início dos 2000. Antes da explosão das redes sociais, a internet era um lugar povoado por gente fina, elegante, sincera e, acima de tudo, nerd. Era um clubinho quase fechado onde a língua oficial era o inglês. Foi nesse ambiente que as primeiras tentativas de fraudes  e esquemas surgiram. Quem viveu a época aprendeu cedo a identificar o perigo. Hoje dificilmente caem em fake news ou compram em sites não seguros.

Com o tempo, a internet avançou tanto em termos de facilidade de uso quanto em acesso. A rede saiu da esfera universitária e ganhou literalmente o mercado e as empresas. Deixou de ser um clubinho fechado. Foi quando chegaram os late majority, que segundo a classificação de Rogers, são aqueles que só adotam uma tecnologia depois que ela já foi testada, aceita e barateada pelo mercado.
Mas ainda havia gente de fora da internet.

Rogers batizou os últimos a chegar de laggards, ou retardatários, em português. E grande parte dos retardatários são justamente os idosos que não tiveram a oportunidade de usar computadores nos últimos 20 anos. E foi só com a chegada dos smartphones que tudo isso mudou.

O boom de usuários na internet

No Brasil, 70% da população está conectada. Destes, 97% acessam a web por meio do celular. É compreensível, já que há pelo menos 10 anos só se encontra smartphone nas lojas e todos os planos de assinatura incluem pacote de dados. Dessa forma, a última barreira foi dinamitada e os mais resistentes entraram na web-esfera.

Mas o que encontram esses velhinhos ao chegar na internet em 2020? Provavelmente, muita propaganda para sites de e-commerce duvidosos, emails pedindo senha de banco, aplicativos falsos se fazendo passar pela Caixa Econômica Federal.