Enrique Lores. Foto: Divulgação HP.
Enrique Lores, atual CEO da HP, está deixando a empresa para assumir o comando do PayPal a partir do dia 1 de março.
Com a mudança, a HP passa a ser comandada Bruce Broussard, um integrante do conselho de administração da empresa que passa a assumir o cargo de CEO de maneira interina.
Essa é uma mudança chamativa. Lores fez toda a sua carreira na HP, assumindo o comando da empresa em 2019, quatro anos depois da empresa se dividir em duas: a HP, com os negócios de PCs e impressoras, e a HPE, com servidores, storage e serviços corporativos.
Talvez Lores tivesse a sensação de que estava apenas enxugando gelo na HP, apesar dos esforços por surfar a onda da inteligência artificial, tem os problemas típicos das fabricantes tradicionais de hardware..
Quando Lores assumiu o comando em 2019, a HP faturava cerca de US$ 58,8 bilhões por ano. Quase seis anos depois, a receita anual está menor, em torno de US$ 55,3 bilhões.
No último trimestre, a empresa anunciou um plano de reestruturação que pode resultar no corte de 4 mil a 6 mil postos de trabalho até 2028.
O sujeito pode se questionar se foi uma boa ideia ir para o Paypal, uma empresa que está em outro mercado, mas numa situação não muito diferente da HP.
O Paypal trocou de CEO em fevereiro de 2023, com a saída de Dan Schulman, que ocupou a posição por oito anos. O novo CEO, Alex Chriss, não chegou a durar dois no cargo.
Quando da saída de Schulman, o crescimento do PayPal já havia desacelerado de forma abrupta: depois de crescer entre 15% e 20% ao ano desde que foi desmembrado do eBay em 2015, a empresa cresceu apenas 8,5% em 2022 e algo próximo disso em 2023.
Com o novo CEO, a empresa desacelerou mais ainda, crescendo 6,8% em 2024 e 4,3% em 2025.
Assim como a HP, o Paypal é uma marca com uma longa tradição que não está se encontrando no mundo atual dos pagamentos digitais, no qual sofre a concorrência de novos players como a Apple Play.
