COMPLICADO

Munique atrasa projeto S/4 SAP

Segunda maior cidade da Alemanha está tendo problemas para implementar ERP.

04 de fevereiro de 2026 - 09:17
Projetos de ERP são complexos, mas vocês já tentaram carregar 10 copos de chope de uma vez? Foto: Depositpotos.

Projetos de ERP são complexos, mas vocês já tentaram carregar 10 copos de chope de uma vez? Foto: Depositpotos.

Munique acaba de adiar pela segunda vez a entrada em operação do novo sistema de gestão da a segunda maior cidade da Alemanha, o S/4 Hana da SAP. 

O novo ERP, um upgrade dos sistemas da SAP adotados pela cidade alemã há 20 anos, deveria ter entrado no ar inicialmente em 1 de janeiro de 2025, ficou para 2026, e agora para uma data ainda não divulgada em 2027.

O projeto foi iniciado em 2019 e até agora já custou € 171 milhões para a cidade, pouco acima de 10% dos € 150 milhões projetados inicialmente, revela o jornal bávaro Süddeutsche Zeitung.

O novo ERP de Munique deve cobrir tarefas como recebimentos e pagamentos, as compras, a logística e as transações imobiliárias, bem como a manutenção e os reparos.

O projeto está sendo tocado pela IT@M, uma empresa de tecnologia controlada pela prefeitura de Munique, que já treinou 4,5 mil funcionários em 70 diferentes formações ligadas ao novo ERP. 

Onze mil funcionalidades diferentes do sistema vêm sendo testadas desde 2025 por 700 funcionários, visando testar a estabilidade da operação, mas uma “parte significativa” ainda apresenta erros, justifica a prefeitura de Munique. 

“Não estamos fazendo isso por diversão. Não tem como fugir da mudança, porque o suporte do fabricante para o sistema antigo vai acabar”, disse ao Süddeutsche Zeitung Christoph Frey, responsável pela secretaria de Finanças da cidade. “Estou confiante de que, juntos com nossa equipe de TI e o fabricante, vamos conseguir fazer isso até 2027”, agrega Frey. 

O prazo de 2027 carrega um peso extra, porque é o ano no qual o roadmap da SAP prevê o fim do suporte normal com updates para versões mais antigas dos seu ERP, como a usada pela prefeitura de Munique.  

Os três anos seguintes seriam do chamado “extended support”, com custo adicional de 3% e sem as atualizações do produto. 

Projetos de ERP em prefeituras têm complicadores adicionais para qualquer fornecedor, o que reduz um pouco o prejuízo de imagem da SAP com o atraso no go live em Munique.  

Na Inglaterra, a cidade de Birmingham tenta há ainda mais tempo concluir uma migração da SAP para a Oracle. 

Por outro lado, Munique não é qualquer cidade na Alemanha. O município é capital do estado da Baviera, um dos mais ricos do país, responsável por quase 20% do PIB alemão e sede de grandes empresas, como a BMW e a Audi. 

Munique é também uma das cidades da Alemanha na qual a SAP está mais presente, depois da minúscula Waldorf, na qual a gigante tem a sua sede até hoje. 

A SAP tem 1,2 mil funcionários baseados em Munique, boa parte deles em uma unidade do SAP Labs, como são conhecidos os centros de desenvolvimento e suporte da empresa (São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, também tem um SAP Labs).

A multinacional também comprou os naming rights do SAP Garden, uma arena esportiva multifuncional de última geração inaugurado em 2024, no qual jogam o time de hóquei no gelo EHC Red Bull München, campeão nacional várias vezes, e a equipe de basquete do FC Bayern München.

NO BRASIL É DIFERENTE

No Brasil o nicho de prefeituras é dominada por um grupo de cerca de uma dezena de empresas brasileiras fundadas na maioria dos casos nos anos 90 e com um porte médio, com bases de clientes na casa das centenas de cidades (ao todo, o país tem 5,5 mil munícipios, mas muitas delas são pequenas e sem capacidade de investimento).

Há cerca de 10 anos, a SAP chegou a fazer uma menção de entrar no segmento de prefeituras com o B1, seu software para pequenas e médias, e chegou a divulgar a cidade de Americana, no interior de São Paulo, como um cliente, mas a coisa toda não foi para frente.