CALMA

União Europeia tem AWS independente

Gigante tenta acalmar o medo de Donald Trump dos europeus. Vai colar?

16 de janeiro de 2026 - 08:48
Estados Unidos e União Europeia estão numa disputa geopolítica. Foto: Depositphotos.

Estados Unidos e União Europeia estão numa disputa geopolítica. Foto: Depositphotos.

A AWS tornou disponível nesta quinta-feira, 15, a European Sovereign Cloud, uma nuvem para países da União Europeia que a empresa promete ser totalmente independente dos Estados Unidos. 

A Amazon afirma que a nuvem é “inteiramente localizada dentro da União Europeia e fisicamente e logicamente separada de outras regiões da AWS”. 

A chamada ESC inicia sob operação de uma empresa alemã, com investimentos previstos de € 7,8 bilhões só na Alemanha até 2040.  

Já existem planos para levar o conceito para outros países europeus, em um primeiro momento para Bélgica, Holanda e Portugal.

A AWS não poupou promessas para promover o novo produto, dizendo que a plataforma é “operada de forma independente” por residentes da União Europeia e é respaldada por “fortes controles técnicos, garantias de soberania e proteções legais” projetadas para atender as necessidades de governos e empresas europeias que lidam com “dados sensíveis”. 

Apenas alguns funcionários autorizados da AWS que operam a European Sovereign Cloud terão acesso a uma “réplica do código-fonte necessária para manter” os serviços.

Um conselho consultivo também foi criado, composto por três funcionários da Amazon e dois membros independentes.

O trabalho que a AWS está passando tem um motivo conhecido: a política externa do presidente Donald Trump e o temor crescente na Europa de medidas radicais dos Estados Unidos.

Nesse contexto, o fato de governos e empresas do continente serem dependentes de gigantes americanos como AWS, Azure e Google para computação em nuvem está criando uma pressão política para o incentivo a alternativas locais. 

Uma pesquisa recente do Gartner apontou que 61% dos CIOs e líderes de tecnologia europeus querem aumentar o uso de provedores de nuvem locais. Cerca de metade (53%) afirmou que a geopolítica limitará o uso de provedores globais no futuro.

Acontece que criar um concorrente para empresas como essas não é exatamente fácil: de fato, a Europa já tenta isso há alguns anos sem sucesso. Hoje, 70% do mercado de nuvem do Velho Continente está nas mãos  

A Microsoft e o Google já tinham feito suas próprias promessas de “salvaguardas de privacidade” e “nuvem soberana”. 

O temor não é infundado. De acordo com o Cloud Act, uma lei americana, as autoridades do país podem obrigar provedores americanos de nuvem a fornecer acesso a informações, independentemente de onde esses dados estejam armazenados no mundo.

No verão passado, altos executivos franceses da Microsoft, falando sob juramento numa CPI do Senado francês, admitiram que a empresa não poderia garantir que dados de cidadãos franceses não seriam transmitidos ao governo dos EUA, caso recebesse uma ordem judicial legalmente válida.