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Última chamada para o S/4 Hana

Ficar no ECC até o final de 2027 tem um custo oculto que as empresas precisam ter em conta. 

24 de fevereiro de 2026 - 12:00
Renato Assis, especialista em projetos para o setor Fashion da Ábaco Consulting (Foto: Divulgação)

Renato Assis, especialista em projetos para o setor Fashion da Ábaco Consulting (Foto: Divulgação)

Quantas vezes, ao apresentar um projeto de rollout ou migração SAP para a diretoria, a discussão trava na pergunta “qual é o retorno financeiro real da iniciativa?”. Em 2026, a era dos projetos de tecnologia aprovados apenas pela justificativa de atualização tecnológica ou fim do suporte acabou. Hoje, o maior desafio das companhias para viabilizar essas transições não é a complexidade técnica, mas a dificuldade em traduzir a mudança em margem EBITDA e proteção de caixa.

É exatamente nessa lacuna que mora o chamado "ROI Invisível", e é também onde muitos projetos vitais acabam sendo perigosamente postergados. Contudo, não é mais possível tratar a migração para o S/4HANA como um evento para um futuro distante. A realidade técnica e contratual do mercado impõe um prazo que impacta diretamente o risco operacional das empresas, com o encerramento definitivo da manutenção do SAP ECC previsto para o final de 2027. 

Embora exista a possibilidade de uma sobrevida com manutenção estendida até 2030, ela chega com um preço alto, exigindo taxas adicionais de 2% sobre o valor dos contratos anuais. Financeiramente, isso significa pagar mais caro para manter uma tecnologia obsoleta que já não traz nenhuma inovação para o negócio. O cenário de mercado agrava ainda mais essa data, já que o último levantamento do Gartner sobre o tema, realizado em 2025, indica que 61% dos clientes no ECC ainda não haviam migrado nem adquirido as licenças do S/4. 

Para os negócios, isso aponta para um gargalo de recursos sem precedentes nos próximos anos. A lei da oferta e da demanda será implacável: a disputa por consultorias e profissionais seniores poderá inflacionar gravemente os custos de projeto em 2027, e quem deixar para a última hora inevitavelmente pagará um prêmio alto por uma entrega feita às pressas e sob pressão.

Se o prazo gera o senso de urgência, é o entendimento desse ROI invisível que constrói a justificativa econômica. Muitas empresas falham estrategicamente ao comparar o custo de migração para o projeto S/4HANA apenas com o gasto atual de licenciamento, quando a conta real deveria confrontar o custo da ineficiência atual com o ganho de produtividade futura.

A justificativa financeira precisa ir além, comparando os gastos ocultos de infraestruturas locais, como depreciação de servidores, refrigeração e times dedicados versus um novo cenário de eficiência, segurança global nativa e elasticidade de uma operação em nuvem. 

Enquanto o SAP ECC exige meses de desenvolvimento para integrar novas funcionalidades, o S/4HANA Cloud entrega Inteligência Artificial (Joule) e aprendizado de máquina de forma embarcada e contínua. Diante disso, a reflexão mais urgente para as lideranças é sobre o custo de a empresa não ter acesso a essa automação no presente.

Para que os projetos saiam do papel e ganhem tração executiva, é fundamental mapear com precisão pontos nos quais a operação perde dinheiro atualmente, seja por estoque parado devido à falta de acuracidade, multas fiscais geradas por falhas de integração ou mesmo o tempo excessivo gasto em fechamentos contábeis.

Ao calcular o verdadeiro ROI, projeta-se como a padronização e a migração tecnológica resolvem esses desafios, transformando uma simples despesa operacional em um investimento estratégico. Se há dificuldade em aprovar o orçamento de tecnologia, o problema geralmente não está no valor do investimento, mas na ausência de conexão com os resultados financeiros da companhia. 

Antecipar-se ao apagão de mão de obra de 2027 e evitar sobretaxas desnecessárias é, no fim das contas, a decisão mais rentável para garantir o futuro e a competitividade da operação.

*Por Renato Assis, especialista em projetos para o setor Fashion da Ábaco Consulting, boutique consultiva de negócios focada em gestão e parceira da SAP.